SÃO PAULO — Ricardo Salles (Novo) desistiu da candidatura ao Senado por São Paulo e passou a apoiar André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), contra quem havia feito ataques durante a pré-campanha e a campanha eleitoral.
A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (28/9), durante uma agenda com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O acordo busca favorecer as candidaturas de André do Prado e Guilherme Derrite (PP) para as duas vagas em disputa. Os dois candidatos participaram da reunião no comitê de campanha de Tarcísio.
Antes de retirar seu nome, Salles aparecia em quinto lugar na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9), com 4% das intenções de voto. Marina Silva (Rede) tinha 15%, Simone Tebet (PSD), 14%, e André do Prado e Guilherme Derrite registravam 12% cada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, os quatro primeiros estavam tecnicamente empatados.
Ataques durante a campanha
Ainda na pré-campanha, Salles afirmou que André do Prado não era um representante legítimo da direita. Em um vídeo, disse: “o André nunca foi, não é e nunca será um candidato de direita”. Em outra publicação, declarou que “não pode o maior colégio eleitoral votar no André do Prado”, em referência a São Paulo.
O deputado também acusou André de ter mantido um estuprador como chefe de gabinete e o chamou de “candidato típico do Centrão”. Em debate realizado no dia 23 deste mês, classificou o presidente da Alesp como “marionete do Valdemar Costa Neto”. André respondeu que era “ficha limpa” e afirmou que Salles é réu no STF por supostamente beneficiar o contrabando de madeira.
A disputa também chegou à Justiça Eleitoral. Em agosto, o TRE-SP aplicou duas multas de R$ 5 mil a Salles por propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento de conteúdo negativo contra André. Depois, determinou a remoção de outra publicação com críticas ao presidente da Alesp.
Ao anunciar a desistência, Salles disse que diferenças e opiniões divergentes deveriam ser deixadas de lado diante de um objetivo maior. Tarcísio elogiou a decisão e afirmou que o deputado tinha legitimidade para continuar sua candidatura, mas optou por dar um passo ao lado para ajudar.







