São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PF tentou instalar unidade anticorrupção em mansão de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte

Pedido para usar imóvel avaliado em R$ 12 milhões foi negado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo.

PF tentou instalar unidade anticorrupção em mansão de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte
Foto: Reprodução

A Polícia Federal pediu autorização para usar uma mansão atribuída ao banqueiro Daniel Vorcaro como base do Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais. O imóvel, localizado no bairro Belvedere, tem 2.697,56 metros quadrados e foi avaliado em R$ 12 milhões. O ministro André Mendonça negou a solicitação.

A delegada Janaina Palazzo, responsável pelo caso Master, encaminhou o pedido ao ministro. A unidade está sem espaço próprio porque o prédio da Superintendência Regional da PF em Minas Gerais foi demolido para a construção de uma nova sede, cuja entrega está prevista para 2028. Enquanto isso, as equipes funcionam em dois imóveis alugados.

Durante as diligências da Operação Compliance Zero, investigadores localizaram uma residência na Rua Jornalista Djalma Andrade e outro imóvel vizinho, que estava em reforma. Funcionários confirmaram que as duas propriedades pertenciam ao banqueiro, segundo a PF.

A primeira casa está registrada em nome do empresário Márcio Barbosa Silva Bissoli, morto em 2018. O inventariante informou que a propriedade foi negociada em 2022 por R$ 30 milhões com a Super Empreendimentos e Participações S.A., representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. A transação foi feita por contrato particular, sem escritura pública ou registro em cartório, e incluía cláusula de sigilo. Para os investigadores, trata-se de um contrato de gaveta.

O imóvel vizinho continua registrado em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A. A empresa afirma que vendeu a propriedade em abril de 2025 por R$ 20 milhões à Viking Participações Ltda., administrada por Vorcaro. A Viking também assinou um contrato de R$ 50 milhões relacionado a cotas de duas aeronaves do banqueiro que seriam assumidas pela família do ministro Alexandre de Moraes.

A PF argumentou que o grupo, “recentemente criado e não possui espaço físico adequado para atuar”, precisava de um local reservado para análise estratégica e produção de inteligência policial no combate à corrupção. A corporação também descreveu a mansão como um imóvel com salas de estar, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras esportivas. Não foram encontradas obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos ou dinheiro em espécie.

Ao rejeitar o pedido, Mendonça afirmou que a utilização de um bem apreendido por um órgão público deve considerar a finalidade, os custos de adaptação e a preservação do patrimônio. Para o ministro, as características residenciais e recreativas da casa não eram compatíveis com o funcionamento regular de uma unidade policial.

O relator acrescentou que a adaptação exigiria estações de trabalho, rede e segurança de dados, controle de acesso, arquivos, salas de reunião, custódia documental, ajustes elétricos, climatização, acessibilidade, mobiliário e manutenção. Essas mudanças, segundo ele, poderiam gerar despesas elevadas e depreciar o imóvel.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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