A Polícia Federal identificou conversas que indicam que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão de recursos de Daniel Vorcaro relacionados à produção do filme Dark Horse nos Estados Unidos. As mensagens tratariam da forma como o dinheiro poderia ser administrado. O ex-deputado não foi localizado para comentar.
O caso ganhou repercussão após o fim do sigilo da investigação envolvendo o Banco Master. A divulgação ocorreu em meio à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que passou a ser atingida por novas revelações sobre a produção cinematográfica.
Investigação e disputa eleitoral
Integrantes do governo Lula aguardavam o avanço de uma segunda frente de investigação sobre o filme. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou 49 mandados de busca e apreensão na quinta-feira, 10. Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias, roteirista da produção, e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go UP Entertainment.
As informações sobre o suposto uso de emendas parlamentares para financiar o filme começaram a ser divulgadas neste domingo, 13. Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirma que a produção não utilizou verbas públicas e diz que a operação da Polícia Federal tem motivação política para interferir no processo eleitoral.
A investigação passou a ser acompanhada pelo governo Lula em um cenário de pressão eleitoral. Nas últimas semanas, o presidente caiu em levantamentos de intenção de voto e foi ultrapassado numericamente por Flávio Bolsonaro no segundo turno, embora os dois permanecessem em empate técnico. Havia preocupação entre governistas de que Flávio também aparecesse à frente no primeiro turno em 4 de outubro.
O caso Dark Horse também passou a dividir espaço com as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes e Vorcaro trocaram 51 mensagens em 21 dias, segundo as informações reunidas na investigação. As conversas levantaram suspeitas sobre corrupção passiva, exploração de prestígio e advocacia administrativa.
O presidente do STF, Edson Fachin, marcou para terça-feira, 15, o julgamento que decidirá se Moraes será investigado. A ala próxima ao ministro e ao presidente Lula tenta alterar a data para depois das eleições, diante do temor de impacto sobre a campanha.







