São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Tecnologia

IA ganha espaço na gestão de riscos do comércio exterior

Instabilidade nas cadeias globais e novas restrições comerciais levam empresas a usar IA para integrar dados e orientar decisões logísticas.

IA ganha espaço na gestão de riscos do comércio exterior

A instabilidade nas cadeias de suprimentos e o avanço de restrições comerciais estão ampliando o uso de inteligência artificial por empresas de importação e exportação. A tecnologia é aplicada à integração de dados, à identificação de vulnerabilidades e ao apoio à tomada de decisões no comércio exterior.

Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que novas tarifas e medidas regulatórias afetaram cerca de US$ 2,64 trilhões em importações mundiais entre outubro de 2024 e outubro de 2025. O valor foi mais de quatro vezes superior ao registrado no período anterior.

A pressão sobre a logística também avançou ao longo de 2026. Segundo a Comissão das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o comércio global de bens somou US$ 13,7 trilhões no primeiro semestre, alta de 12,5% em relação ao mesmo período de 2025. Parte desse crescimento esteve associada ao aumento estimado de 5% nos preços dos bens no segundo trimestre, em meio a interrupções em rotas marítimas, tensões na oferta de energia e custos de transporte mais altos.

Dados para mapear exposição

Para Luiz Policarpo, fundador e CEO da Einship, empresa brasileira de tecnologia voltada à inteligência de dados, os efeitos do cenário atingem as margens, os estoques, as linhas de produção e o cumprimento de contratos. O executivo também citou a dispersão de informações entre sistemas, planilhas, fornecedores e plataformas como um obstáculo à identificação rápida de problemas e oportunidades.

A proposta das soluções de IA, segundo Policarpo, não é antecipar eventos imprevistos, mas mostrar onde estão as maiores exposições. A combinação de dados internos e informações de mercado permite analisar dependências de fornecedores, concentração de rotas e históricos de preços em tempo real.

“a previsibilidade hoje não está relacionada a adivinhar o futuro, mas a entender onde a empresa está mais exposta e quais alternativas possui para reagir rapidamente”, afirmou Policarpo.

A automação de tarefas repetitivas e o uso de linguagem natural para examinar grandes volumes de dados também reduzem o tempo gasto por equipes de comércio exterior na busca e no cruzamento manual de informações. O processamento automatizado transforma dados complexos em análises voltadas ao planejamento e à negociação.

A tendência é que algoritmos passem a considerar simultaneamente rotas, custos e fornecedores para sugerir cenários de menor risco. Decisões estratégicas e negociações complexas, porém, continuarão sob validação e supervisão humanas. “A inteligência artificial será cada vez mais um copiloto estratégico nesse processo”, concluiu Policarpo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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