O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil pediu, na quarta-feira, 9, que Paulo Gustavo Gonet Branco seja substituído por outro integrante do Ministério Público na ação que trata das mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. A entidade argumentou que o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, solicitou esclarecimentos ao procurador-geral sobre os fatos e as medidas tomadas no controle externo da atividade policial.
A manifestação da OAB ocorre enquanto Gonet é citado em um relatório da Polícia Federal que recuperou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O documento registra que o banqueiro teria discutido com Moraes formas de impedir o avanço da Operação Compliance Zero. Em uma das conversas, Vorcaro perguntou se seria possível “reverter isso com Paulo ou Andrei?”. Os investigadores identificaram Paulo como referência ao procurador-geral da República.
Parecer sem assinatura de Gonet
Nesta sexta-feira, 10, Gonet não assinou o parecer do Ministério Público Federal enviado à Presidência do STF. A manifestação, com duas páginas, pede a retirada integral do sigilo da Operação Compliance Zero e foi subscrita pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho.
A ausência do procurador-geral aumentou as especulações sobre sua participação no julgamento previsto para terça-feira, 15. O plenário do Supremo deverá decidir o futuro de Moraes na Corte. O ministro é alvo de suspeitas relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório de advocacia de sua família, o Barci de Moraes, com o Banco Master. Moraes revisou e retocou a versão final do documento ao menos duas vezes.
Oficialmente, o Ministério Público Federal nega que Gonet vá se declarar suspeito e afirma que ele estará na sessão, na cadeira reservada à instituição, à direita do presidente do STF. Procuradores também disseram que o procurador-geral ocupará o lugar durante o julgamento.
Gonet manteve contato telefônico e trocou mensagens com Vorcaro em conversas intermediadas pelo advogado Ciro Soares. Nos diálogos, afirmou que “sente saudades” do banqueiro e o chamou de “máquina” depois de aceitar um convite para degustação de uísque Macallan em Londres e pedir que seu filho fosse convidado.
Após a divulgação das mensagens, Gonet afirmou ao Supremo que o relatório da Polícia Federal sobre os diálogos entre Vorcaro e Moraes é ilegal e deve ser arquivado sem análise do mérito. O procurador-geral sustentou que Mendonça sabia que Moraes seria apontado como interlocutor de Vorcaro, mas defendeu que uma investigação contra um ministro do STF só poderia ser determinada pelo plenário. A manifestação abre a possibilidade de arquivamento do caso na terça-feira, 15, sem a abertura de inquérito.







