A disputa em torno do caso Master passou a envolver, além das suspeitas sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, uma batalha pelas versões apresentadas pelos envolvidos. A Polícia Federal teria mostrado um elo entre o ministro e o ex-banqueiro, enquanto críticas e questionamentos sobre acusadores são usados para deslocar o foco do conteúdo das apurações.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou que cargo não confere privilégio. A frase aparece no contexto da decisão sobre o julgamento, pelo plenário da Corte, de uma eventual investigação contra Moraes. A sessão está marcada para 15 de setembro.
Estratégias de defesa
A análise relaciona o debate atual a “A arte de ter razão”, livro do filósofo alemão Arthur Schopenhauer que reúne 38 estratagemas para vencer uma discussão sem necessariamente ter razão. Um dos recursos citados é o argumento ad hominem, pelo qual se ataca o adversário em vez de responder às questões apresentadas.
Esse mecanismo seria utilizado por aliados de Moraes ao direcionar críticas ao ministro André Mendonça. A mesma lógica teria sido aplicada contra repórteres que divulgaram informações sobre o caso. A avaliação é que eventuais intenções políticas de Mendonça não alterariam os fatos atribuídos a Moraes.
Flávio Bolsonaro também é mencionado nesse contexto. Ao ser questionado sobre recursos solicitados a Vorcaro para, em tese, concluir o filme Dark Horse, o candidato à Presidência teria afirmado que o assunto estava encerrado, por se tratar de recursos privados, e procurado mudar de tema. A investigação sobre sua participação no caso teria dificultado essa estratégia.
Outro recurso citado é o de fazer perguntas em excesso para alegar falta de informações e adiar uma decisão. Essa prática é associada à tentativa de postergar a sessão que analisará a investigação contra Moraes.
Também são mencionadas estratégias como apresentar a punição de uma autoridade como ameaça à democracia, usar linguagem técnica para provocar confusão e declarar uma tese vencedora sem expor os argumentos que a sustentam. A análise conclui que essas técnicas, conhecidas na lógica informal como falácias, são empregadas no debate sobre suspeitas envolvendo autoridades, familiares de ministros e o ex-banqueiro.







