BRASÍLIA E SÃO PAULO — Uma decisão de André Mendonça, proferida em 10 de julho, determinou que a Polícia Federal compartilhasse com seu gabinete dados brutos, relatórios e demais materiais da investigação da Operação Compliance Zero. O ministro afirmou que a medida permitiria supervisionar o trabalho policial e verificar se o caso era conduzido de maneira técnica, imparcial, isenta e sem seletividade.
A determinação também exigiu a juntada de todas as diligências produzidas e a comunicação prévia de qualquer mudança na equipe responsável pelas investigações. Mendonça afirmou que a supervisão judicial deveria preservar os direitos dos investigados, acompanhar a duração dos procedimentos e garantir a autonomia funcional dos policiais.
A decisão se tornou pública após a retirada dos sigilos dos processos relacionados ao caso Master. A medida foi associada a desentendimentos entre o gabinete de Mendonça e a Polícia Federal nas apurações da Operação Sem Desconto, que investiga desvios no Instituto Nacional do Seguro Social. O ministro adotou entendimento semelhante nesse caso.
As tensões aumentaram depois que a direção da Polícia Federal substituiu, em maio, a chefia da investigação sobre os desvios no INSS. O delegado retirado havia solicitado a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Depois da mudança, Mendonça passou a cobrar os relatórios relativos ao material obtido e demonstrou desconfiança sobre o andamento das apurações.
Na decisão, o ministro justificou o acesso aos dados brutos pela necessidade de confrontar os argumentos da defesa com o conteúdo integral dos dispositivos apreendidos. Segundo ele, isso permitiria avaliar se as análises policiais haviam considerado todos os elementos apresentados pelos investigados.
Mendonça também disse que a medida buscava impedir “interferências indevidas” na autonomia da equipe policial e resumiu o objetivo como o de “zelar pelo desenvolvimento de uma investigação criminal republicana”. Até então, a Polícia Federal havia encaminhado ao gabinete apenas uma cópia do celular de Daniel Vorcaro, enviada em março. O material foi entregue lacrado pelos investigadores, que temiam pressões superiores após o vazamento de informações sobre Alexandre de Moraes.







