São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Lula chega à reta final sem avanço de popularidade registrado por antecessores

Avaliação positiva do governo está em 33%, enquanto a negativa chegou a 43% em pesquisa divulgada em 17 de setembro.

Lula chega à reta final sem avanço de popularidade registrado por antecessores
Foto: Pedro Kirilos/Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final da campanha sem repetir o avanço de popularidade registrado pelos presidentes que buscaram a reeleição desde 1998. Nos quatro casos anteriores, a avaliação positiva melhorou entre o início do período eleitoral e a aproximação do primeiro turno.

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em 17 de setembro mostra que 33% dos brasileiros classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 43% o consideram ruim ou péssimo. Em junho, os índices eram de 32% e 38%, respectivamente. A alta da avaliação positiva ficou dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais; a negativa avançou cinco pontos.

No histórico levantado a partir das séries do Ibope e do Ipec, Fernando Henrique Cardoso passou de 28% de ótimo ou bom em maio para 40% em setembro de 1998. Lula foi de 38% no fim de maio para 42% às vésperas da votação de 2006. Dilma Rousseff avançou de 31% em julho para 40% no início de outubro de 2014. Jair Bolsonaro passou de 30% em agosto para 33% na última pesquisa antes do primeiro turno de 2022.

Bolsonaro foi o único desses presidentes a não conquistar a reeleição. No primeiro turno daquele ano, recebeu 43,2% dos votos válidos, contra 48,4% de Lula, uma diferença de cerca de 6,2 milhões de votos.

Medidas recentes e avaliação do governo

Nos últimos meses, o governo anunciou iniciativas voltadas à renda e ao custo de vida. Entre elas estão a ampliação do Gás do Povo, uma nova edição do Desenrola, a revogação da chamada taxa das blusinhas, o reajuste do Bolsa Família, a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS e a proibição do funcionamento de empresas de apostas on-line.

A estratégia tem paralelo com o movimento adotado pelo governo Bolsonaro antes da eleição de 2022, quando a chamada PEC das Bondades elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, ampliou o vale-gás e criou auxílios para caminhoneiros e taxistas.

Para o cientista político Leandro Cosentino, professor do Insper, Lula não conseguiu converter em popularidade o controle da máquina pública e a possibilidade de adotar medidas com impacto direto sobre a vida dos eleitores. Ele cita a percepção de que políticas sociais passaram a ser vistas como direitos adquiridos, a polarização e a perspectiva de um quarto mandato presidencial. Também aponta a concentração de parte dos anúncios perto do primeiro turno.

Antonio Lavareda atribui parte da dificuldade à comunicação. Na avaliação dele, medidas isoladas têm efeito limitado quando não são apresentadas dentro de uma narrativa que conecte as ações do governo. A crise envolvendo o Supremo também teria reduzido o espaço ocupado pelas iniciativas oficiais. “As medidas sozinhas, por si só, não entregam resultados”, afirma.

Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva, avalia que houve uma recuperação antecipada da aprovação do governo cerca de quatro meses atrás. Para ele, a apatia do eleitorado torna menos prováveis mudanças expressivas perto da votação.

No governo e no PT, a avaliação é de que ainda há tempo para uma reação. Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, afirma que as medidas mais recentes podem produzir efeitos até o primeiro turno e em um eventual segundo turno. Eden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, diz que uma parcela expressiva dos eleitores ainda não definiu candidato. A estratégia do partido é ampliar a comparação entre os governos, as propostas e as trajetórias de Lula e Flávio Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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