A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro caminha para uma das eleições presidenciais mais acirradas da história. A média das pesquisas coloca Flávio ligeiramente à frente, mas medidas de alto impacto, como a restrição às bets e a redução da jornada de trabalho, ainda podem alterar a tendência. O cenário também mantém um viés favorável à reeleição de Lula, embora sem caráter definitivo.
Com os dois candidatos em situação próxima, a preparação para diferentes resultados ganha mais importância do que a tentativa de antecipar o vencedor. As informações sobre futuros ministros e propostas se tornaram mais escassas na fase final da campanha, enquanto detalhes sobre a agenda econômica e a política externa permanecem pendentes.
Um ponto comum aos dois cenários é a necessidade de maior controle das despesas obrigatórias a partir de 2027, incluindo investimentos sociais. A velocidade e a intensidade do ajuste fiscal dependerão do resultado da eleição e influenciarão o ambiente econômico dos quatro anos seguintes.
Se Flávio vencer, a expectativa é de uma mudança constitucional antes da posse, com o objetivo de sinalizar um controle dos gastos públicos semelhante ao teto constitucional criado em 2016 e rompido definitivamente pelo próprio Bolsonaro em 2022. A intenção seria demonstrar maior rigor fiscal e favorecer uma queda mais rápida dos juros. Os detalhes desse mecanismo, porém, só seriam divulgados depois da eleição.
Em caso de reeleição, Lula também deverá apresentar uma emenda constitucional. A proposta buscaria preservar o atual arcabouço fiscal, que limita o crescimento real das despesas a 2,5% da receita. A avaliação predominante no governo é que a regra pode gerar superávit primário crescente até o fim da década, sem uma trava mais rígida para os gastos.
A tendência é que Lula leve mais tempo para enviar a proposta ao Congresso, enquanto reorganiza o ministério e negocia os parâmetros de uma base parlamentar considerada frágil. Esse caminho tende a gerar maior instabilidade de mercado na transição de 2026 para 2027 e possivelmente no primeiro semestre do ano seguinte.
Na política externa, os dois governos enfrentariam um ambiente internacional instável. Flávio espera um alinhamento regional forte com os Estados Unidos, mas Donald Trump terá apenas dois anos de governo e enfrentará oposição do Congresso. As tarifas poderiam diminuir caso Flávio fosse eleito, mas não seriam eliminadas, por atenderem a interesses da política norte-americana que vão além da relação com o Brasil. Em qualquer cenário, a política externa exigiria pragmatismo e autonomia.
A crise institucional também deverá provocar mudanças na relação entre os Poderes e no Judiciário. A eleição influenciará a disputa no Supremo Tribunal Federal, mas o vencedor precisará considerar propostas como elevar a idade mínima para indicação de ministros, limitar o poder individual dos integrantes da corte e restringir escritórios de parentes de juízes. Regras para precatórios também aparecem entre os temas associados à reforma ou à captura política do Judiciário.







