Cleitinho Azevedo, do Republicanos, lidera a corrida pelo governo de Minas Gerais e aparece com possibilidade de vencer no primeiro turno. O senador registra 37% das intenções de voto na pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira, 23, e 40% no Datafolha, revelado nesta quinta-feira, 24.
A vantagem sobre os adversários mantém aberta principalmente a disputa por uma eventual vaga no segundo turno, caso a eleição não seja decidida no dia 4. Patrus Ananias (PT) aparece em segundo lugar em boa parte dos levantamentos, com 15% no Datafolha e 16% na Quaest. Na pesquisa Atlas/Estadão, chega a 31%.
Direita fragmentada
Cleitinho atrai eleitores conservadores e antissistema sem se apresentar como parte central da polarização política ou das articulações partidárias em Minas. Embora tenha declarado apoio a Flávio Bolsonaro, também busca aproximação com eleitores de Lula. Na semana passada, apareceu abraçado a um eleitor do presidente durante uma campanha no Vale do Jequitinhonha.
A liderança se consolidou mesmo com outras candidaturas de direita. Flávio Roscoe, apoiado por Flávio Bolsonaro, oscilou de 3% para 5% na pesquisa Quaest e tem o mesmo porcentual no Datafolha. Mateus Simões, candidato do Novo à continuidade do governo, é apoiado por Romeu Zema, mas não avançou nos levantamentos.
A indefinição de Cleitinho sobre a disputa contribuiu para a fragmentação. Ele era a primeira opção do PL para encabeçar uma chapa de oposição a Lula em Minas, mas o partido lançou Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Para Adriano Cerqueira, cientista político e professor do Ibmec, o apoio declarado por Cleitinho a Flávio Bolsonaro preservou sua ligação com o eleitorado bolsonarista e dificultou a transferência desse espaço para Roscoe.
“Muitos eleitores de Flávio Bolsonaro também votam em Cleitinho”, afirma Cerqueira. O cientista político avalia, porém, que Roscoe pode avançar caso consiga associar sua candidatura à de Flávio.
Camilo Aggio, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT), atribui parte do desempenho de Cleitinho à forma como ele utiliza as redes sociais. O senador tem mais de 4,5 milhões de seguidores no Instagram e, segundo Aggio, obtém mais engajamento e visibilidade do que os concorrentes.
Carlos Ranulfo, da UFMG, descreve Cleitinho como um outsider, por atuar à margem do sistema político tradicional e manter maior liberdade em relação a compromissos partidários. Essa posição permite ao senador defender pautas de forte apelo popular, como o fim da escala 6×1. Para Malco Camargo, do instituto Ver pesquisa e Comunicação, Cleitinho representa uma segunda via do bolsonarismo, apesar de adotar posições próprias em temas como a redução da jornada.
Patrus tenta avançar
Patrus Ananias ganhou espaço nos levantamentos mais recentes. Na Quaest, passou de um empate com Alexandre Kalil a uma vantagem de oito pontos sobre o ex-prefeito de Belo Horizonte. No Datafolha, a diferença é de seis pontos, com 15% para Patrus e 9% para Kalil.
O petista aposta na associação com Lula e no voto fiel do PT. Essa estratégia, no entanto, também limita seu crescimento, segundo os analistas ouvidos no levantamento. Adriano Cerqueira afirma que a resistência ao partido em Minas impede Patrus de avançar para além do eleitorado identificado com a legenda.
Kalil tenta se posicionar ao centro e costura alianças locais, inclusive com Aécio Neves (PSDB), ex-governador e candidato ao Senado. Para Ranulfo, a ausência de um padrinho nacional claro prejudica o ex-prefeito, que em 2022 perdeu para Zema, ainda no primeiro turno, na disputa pelo governo estadual.
A avaliação dos analistas é que as limitações de Patrus e Kalil expõem a falta de opções competitivas e de renovação de quadros na política mineira. A liderança de Cleitinho, contudo, não asseguraria a reprodução do mesmo cenário em um eventual segundo turno. Ranulfo afirma que uma disputa entre dois candidatos exigiria do senador mais do que sua atuação nas redes sociais e cobraria um programa de governo estruturado.
O comportamento dos eleitores derrotados também poderá alterar a disputa. Cerqueira define Minas como um estado-pêndulo, com eleitores que não mantêm preferência partidária fixa e podem mudar de apoio entre diferentes partidos a cada eleição. Nesse ambiente, o voto pessoal pode se sobrepor às siglas e produzir combinações entre candidatos de espectros políticos distintos.







