BRASÍLIA — Quatro fotografias inéditas registram a saída de Jair Bolsonaro do Brasil em 30 de dezembro de 2022, quando o então presidente embarcou para Miami em um avião da FAB. As imagens fazem parte do livro Eu disse não! Uma trincheira antigolpista, escrito pelo brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior e lançado em Brasília no dia 23.
Os registros mostram Bolsonaro e Michelle na Base Aérea de Brasília, acompanhados pelo comandante da FAB, pelo então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e por integrantes da escolta presidencial. Em outra imagem, Bolsonaro atravessa a guarda de honra da Aeronáutica e caminha pelo tapete vermelho em direção ao brigadeiro, que o aguardava próximo à escadaria do avião presidencial.
As duas últimas fotografias mostram o ex-presidente de costas, prestes a receber a continência de Baptista Junior, e apertando a mão do comandante. Segundo o brigadeiro, foi a última vez que os dois se cumprimentaram. Ele pediu a um subordinado que registrasse o embarque por considerar histórico o momento.
O relato do embarque
Baptista Junior afirma que recebeu do comandante da Base Aérea a informação de que Bolsonaro e Michelle estavam no local para viajar aos Estados Unidos. O brigadeiro determinou a preparação da guarda de honra e do tapete vermelho e pediu que o presidente fosse mantido na Sala Presidencial.
Ao chegar à sala, encontrou Bolsonaro e o então presidente dos Correios, general Floriano Peixoto. Depois, chegaram Michelle, o ministro das Relações Exteriores, embaixador Carlos França, e o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. O brigadeiro registrou ter estranhado a ausência do vice-presidente, Hamilton Mourão, que assumiria as responsabilidades e autoridades do cargo com a saída de Bolsonaro do país.
Mourão teria sido avisado pouco antes da decolagem. Em uma mensagem de WhatsApp, Bolsonaro pediu que ele assinasse dois ou três decretos. Na pista, foi feita a última saudação formal ao presidente. Também embarcaram o ajudante de ordens Mauro Cid e integrantes da equipe de segurança. Baptista Junior determinou aos pilotos que retornassem a Brasília na noite seguinte, independentemente de orientações de outras pessoas.
Troca no comando do Exército
As imagens foram produzidas no mesmo dia da troca de comando do Exército, quando Marco Antônio Freire Gomes deixou a função e Júlio César de Arruda assumiu, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva, antes da posse do presidente eleito.
Freire Gomes é descrito no livro como um dos militares que impediram o avanço de uma tentativa de golpe posteriormente julgada pelo Supremo Tribunal Federal. Baptista Junior relata que também teve contato com a minuta do golpe e que, ao lado de Freire Gomes, impediu que ela avançasse.
O brigadeiro afirma que só tomou conhecimento à noite do pronunciamento de Bolsonaro, no qual o então presidente mencionou “limitações constitucionais para medidas mais extremas” e disse que determinadas ações não dependiam apenas de “pegar uma BIC e assinar”. Para Baptista Junior, a despedida indicava frustração com a falta de apoio institucional para avançar nessas medidas.
O livro tem 238 páginas e reúne o relato do brigadeiro sobre os acontecimentos. Na obra, ele afirma que decidiu registrar fatos e percepções que poderiam permanecer apenas na memória dos envolvidos, como forma de preservar a história e o compromisso com o país, a democracia e as instituições.







