BRASÍLIA — As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram esforços em dois grupos com peso relevante no eleitorado: jovens entre 16 e 24 anos e brasileiros com mais de 70 anos. A movimentação dos indecisos e a abstenção também podem influenciar a disputa presidencial de outubro.
Os jovens de 16 a 24 anos somam 5,5 milhões de eleitores, ou 12,5% do eleitorado. Já os brasileiros com mais de 70 anos representam 17 milhões, equivalentes a 15,75% do total. Para quem está acima dessa idade, o voto é facultativo. Entre os jovens de 16 e 17 anos, também não há obrigatoriedade; esse grupo reúne 1,6 milhão de brasileiros.
Perfis distintos e votos ainda em disputa
Em Brasília, Tiago Coutinho, de 25 anos, ainda avaliava se votaria no primeiro turno. Ele se identifica com a direita, gosta de Jair Bolsonaro, mas afirma não considerar Flávio tão honesto quanto o pai. A possibilidade de votar no candidato do PL aparece, para ele, como uma alternativa para impedir uma vitória de Lula, embora cogite deixar essa decisão para o segundo turno.
Também em Brasília, Gabriela Rojas, de 16 anos, decidiu votar pela primeira vez em Lula. A estudante afirma discordar dos ideais de Flávio e Jair Bolsonaro e atribui ao petista políticas públicas voltadas aos mais pobres. No início do ano, ela se juntou a sete amigas que tiraram o título de eleitor.
Felipe Guerra, de 23 anos, faz campanha para Flávio no Distrito Federal e participa do PL Jovem. Estudante de Gestão Pública no Instituto Federal de Brasília, ele diz que sua geração tem se aproximado da direita e aponta violência e corrupção como problemas associados ao PT. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) está entre suas principais referências políticas.
Entre os eleitores mais velhos, há posições igualmente consolidadas. Conceição Ferreira, de 82 anos, mora em Cachoeira Paulista (SP) e mantém imagens de Lula em sua casa. Mesmo sem obrigação de votar, ela pretende comparecer às urnas e atribui ao presidente políticas educacionais que, segundo ela, ajudaram sua neta a se formar em uma universidade federal.
No Itaim Bibi, zona oeste de São Paulo, Ida Cristina, de 80 anos, também pretende votar apesar da mobilidade reduzida. Tradicionalmente ligada a Jair Bolsonaro, ela transferiu o apoio para Flávio depois que o ex-presidente ficou fora da disputa. A eleitora afirma considerar a economia uma área central para a prosperidade de sua família.
Estratégias dos partidos
O PT criou o projeto “Geração Lula”, voltado a pessoas com mais de 70 anos. A iniciativa oferece mensagens e materiais para redes sociais, além de propostas dirigidas aos idosos. A campanha busca reduzir a ausência desse público: em 2022, 8 milhões de pessoas com 70 anos ou mais não foram votar.
O partido também promove encontros de juventude, plenárias virtuais e conteúdos para redes sociais por meio do Lulaverso, iniciativa criada nas eleições em 2022. O PL, por sua vez, investe em seminários de comunicação para orientar jovens correligionários sobre redes sociais e mantém uma ofensiva contra o governo Lula em torno das fraudes no INSS.
Flávio deve gravar um conteúdo destinado a eleitores com mais de 70 anos. Para o público jovem, apresentou propostas como a redução para 16 anos da idade mínima para dirigir, anunciada em um comício em Vitória da Conquista (BA).
Pesquisas e abstenção
No Datafolha de 17 de setembro, Lula tinha 39% das intenções de voto entre eleitores de 16 a 24 anos, contra 29% de Flávio. A Quaest, em 21 de setembro, apontou empate de 31% a 31% na faixa de 16 a 34 anos. Na Atlas, em 23 de setembro, os candidatos apareciam com 30% e 31%, respectivamente.
Entre os idosos, Lula registrava 43% e Flávio, 33%, no Datafolha. Na Quaest, os percentuais eram 42% e 32%. A Atlas mostrava 62,5% para Lula e 31,5% para Flávio. No público com mais de 60 anos, indecisos e votos brancos ou nulos somavam 11%, segundo o Datafolha.
Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que os dados justificam o esforço para estimular a participação dos idosos. Sobre os jovens, avaliou que uma abstenção elevada prejudicaria os dois candidatos, já que esse eleitorado está dividido entre Lula e Flávio.






