O governo de Donald Trump planeja destinar US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,2 milhões, a grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta acusa a corte brasileira de extrapolar suas atribuições judiciais e impor censura no país.
O dinheiro sairia do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado, dentro de um pacote de US$ 176,9 milhões, cerca de R$ 916,4 milhões, destinado a iniciativas voltadas à direita e ao conservadorismo em diversos países. A lei que autoriza o fundo determina que os recursos sejam destinados até 30 de setembro.
O projeto aparece em um documento como combate ao uso abusivo do sistema de Justiça e à censura no Brasil. O plano prevê 43 subsídios. Entre eles, estão US$ 2 milhões, ou R$ 10,4 milhões, para um programa apresentado como proteção a cristãos na Nigéria, além de outros US$ 2 milhões para ações contra o que o governo americano classifica como ideologia de gênero na Polônia, na Eslováquia, na República Tcheca, na Hungria e nos Bálcãs.
Também foram listadas iniciativas contrárias à imigração na Europa, projetos sobre um suposto racismo contra brancos na África do Sul e ações para contestar a credibilidade de veículos de imprensa. A Victims of Communism Memorial Foundation, organização americana anticomunista ligada a um ex-funcionário da Casa Branca, receberia US$ 40 milhões, equivalentes a R$ 207,2 milhões.
Disputa sobre os repasses
A democrata Jeanne Shaheen, da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, afirmou que as propostas usariam dinheiro dos contribuintes para financiar organizações e programas de extrema-direita em democracias consolidadas. Ela manteve dez bloqueios sobre subsídios destinados ao Brasil, à África do Sul, à Nigéria e à Europa.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria assinado um memorando para que as restrições fossem desconsideradas e os recursos, empenhados, segundo um assessor do Congresso americano. O Departamento de Estado não informou se os entraves foram ignorados. O órgão declarou que os programas estavam em deliberação ativa, que os beneficiários atendiam às diretrizes americanas e que haveria um processo rigoroso de verificação.
A proposta surge em meio ao temor de interferência dos Estados Unidos nas eleições marcadas para domingo (4), em favor do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A Abin apontou supostas intervenções dos EUA e da Rússia antes do pleito, durante uma visita de delegações da França e da Alemanha a Brasília em setembro.
O presidente Lula (PT), que concorre à reeleição, mencionou interferências externas em discurso na Assembleia-Geral da ONU. Flávio se encontrou com Trump em maio e, em julho, participou de uma audiência do Escritório de Comércio dos EUA ao lado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP).







