BRASÍLIA — O governo federal trabalha na criação de uma nuvem brasileira por meio de uma parceria entre o Serpro e empresas privadas de capital majoritariamente brasileiro. O modelo ainda está em definição e poderá reunir mais de uma companhia.
A proposta busca ampliar o controle do país sobre o código, a operação e a jurisdição da infraestrutura destinada a dados estratégicos. Empresas estrangeiras não foram excluídas, mas a participação delas ainda não foi estabelecida.
Modelo e requisitos
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que uma parceria público-privada é hoje o formato mais provável. O Serpro será a única empresa pública inicialmente envolvida. A Dataprev informou que não poderá participar do desenvolvimento.
“A ideia, em princípio, seria uma parceria público-privada, que pode envolver mais de uma empresa privada”, disse Dweck. O desenho poderá ser alterado após a consulta ao mercado, que reuniu 59 empresas brasileiras e multinacionais em uma audiência pública em Brasília.
A preferência é por uma companhia de capital majoritariamente brasileiro. Dweck reconheceu que há poucas empresas nacionais com capacidade própria relevante em serviços de nuvem e citou a Magalu Cloud. A ministra também afirmou que o código precisará ser totalmente aberto, ainda que parte da tecnologia seja desenvolvida fora do país.
A jurisdição brasileira é outro requisito. O governo quer evitar dependência jurídica estrangeira em soluções voltadas a dados críticos ou estratégicos. Dweck mencionou o Cloud Act, dos Estados Unidos, que permite exigir de empresas americanas a entrega de dados de usuários mesmo quando as informações estão armazenadas em servidores no Brasil.
Demanda e cronograma
O custo de criação da plataforma é apontado como um obstáculo para empresas brasileiras. Para viabilizar os investimentos, o governo pretende financiar o desenvolvimento e comprar a tecnologia depois de pronta, formando uma demanda inicial. A solução também poderá ser oferecida a empresas privadas.
A consulta de mercado teve 270 participantes de 70 instituições. Após essa fase, foram iniciadas reuniões individuais com as companhias interessadas. O encerramento da consulta está previsto para 25 de setembro; a modelagem deve ser definida durante outubro; e o edital provavelmente será publicado no início de novembro.
A escolha da empresa ou das empresas está prevista para 2026, seguida por um período de cerca de dois anos para o desenvolvimento. A ABDI fará a interlocução com o setor privado, enquanto o BNDES poderá oferecer financiamento ou outro instrumento de apoio. A divisão entre os mercados público e privado ainda será definida.







