São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

GoUp condiciona entrega de documentos de ‘Dark Horse’ a ordem judicial nos EUA

Sócio da produtora entregou parte dos registros à PF, mas não apresentou contratos com atores americanos nem detalhou US$ 13,4 milhões.

GoUp condiciona entrega de documentos de ‘Dark Horse’ a ordem judicial nos EUA
Foto: Divulgação

O sócio da GoUp Entertainment Michael Brian Davis afirmou que a produtora só entregará à Polícia Federal documentos sobre os gastos de “Dark Horse” nos Estados Unidos caso exista uma ordem da Justiça americana. A declaração foi enviada por email à sócia Karina Gama em 2 de setembro e integra o inquérito que apura se o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro foi financiado com recursos do Banco Master.

A mensagem de Davis sustenta que eventuais pedidos de autoridades brasileiras devem seguir canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional. “qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano”, escreveu o executivo. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça retirou o sigilo da investigação nessa sexta-feira, 11.

A GoUp protocolou centenas de notas fiscais de hospedagem de atores e integrantes da equipe, comprovantes de transferências bancárias e contratos com atores brasileiros. Os contratos firmados com atores americanos, porém, não foram apresentados.

Recursos sob investigação

Em junho, a produtora apresentou uma perícia privada que indicou, de forma superficial, o uso de US$ 13,4 milhões nos Estados Unidos. O documento não especifica como os valores foram gastos. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi destinada ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. A Procuradoria-Geral da República acusa o ex-deputado de articular sanções contra autoridades brasileiras.

As conversas obtidas pela polícia também indicam que Eduardo Bolsonaro teria orientado como os recursos de Daniel Vorcaro poderiam ser administrados nos Estados Unidos. O fundo tem como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, pertencente ao advogado Paulo Calixto, que representa o ex-deputado.

Além da apuração sobre os recursos do Banco Master, dois procedimentos investigam possível uso de dinheiro público no filme. Um deles trata do contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade representada por Karina Gama, para instalar pontos de Wi-fi na periferia da capital. Desde a última quinta-feira, 10, esse caso passou da Polícia Civil de São Paulo para o STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino.

O segundo inquérito apura emendas parlamentares enviadas ao ICB e a possibilidade de os recursos terem chegado à GoUp por meio de empresas intermediárias. Na quinta-feira, 49 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nessa investigação.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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