São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Documentos do caso Master detalham suspeitas sobre políticos e autoridades

Investigações liberadas pelo STF reúnem apurações sobre Flávio Bolsonaro, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Eduardo Bolsonaro.

Documentos do caso Master detalham suspeitas sobre políticos e autoridades
Foto: Fábio Vieira/Estadão

A liberação de documentos sob sigilo em investigações relacionadas ao Banco Master revelou novas informações sobre a atuação de Daniel Vorcaro e suas conexões com autoridades e políticos. Entre os casos estão apurações sobre Flávio Bolsonaro, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Eduardo Bolsonaro, além de suspeitas envolvendo contratos, recursos no exterior e financiamento de filme.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, pediu a ampliação do acesso aos processos ligados ao caso. Inicialmente, o ministro André Mendonça liberou 15 processos. Depois de manifestação da Procuradoria-Geral da República, Fachin solicitou a abertura de outros documentos, e Mendonça tornou públicos mais 39 petições e inquéritos.

Investigações sobre políticos e ministros

Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a carreira política de Jair Bolsonaro. A produção recebeu recursos de Daniel Vorcaro. Flávio nega irregularidades na captação.

No despacho que autorizou o inquérito, Mendonça afirmou que a Polícia Federal deveria apurar possíveis crimes praticados no contexto do financiamento da obra cinematográfica junto ao Banco Master.

Um relatório da Polícia Federal também registra a suspeita de que Dias Toffoli seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo Arleen. O fundo teria recebido R$ 35 milhões de Vorcaro, com posterior transferência para as Ilhas Virgens Britânicas por meio da holding Egide I. Toffoli negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores. Seu gabinete declarou que ele “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”.

Documentos apresentados pela PF indicam ainda que Alexandre de Moraes editou pelo menos duas vezes o contrato firmado entre o Banco Master e sua mulher, a advogada Viviane Barci. O acordo, no valor de R$ 131 milhões, previa sigilo integral e pagamentos mensais de pró-labore bruto de R$ 3.646.529,77.

A PF afirma que Eduardo Bolsonaro teria orientado a aplicação dos recursos destinados a “Dark Horse”. A investigação aponta Daniel Vorcaro como responsável pelo financiamento ilícito da produção. Eduardo não foi localizado para comentar.

Relações com autoridades e estratégia digital

Mensagens encontradas nos celulares de Vorcaro indicam a realização de festas particulares com garotas de programa, cantores, DJs e bebidas alcoólicas para aproximar o banqueiro de autoridades e empresários. O ex-ministro das Comunicações Fabio Faria teria ajudado a organizar os eventos.

Há registros de festas em uma embarcação em Angra e em uma boate de São Paulo. Uma delas, com tema de Halloween, teria ocorrido na boate Madame Satã, na Bela Vista, em São Paulo, em outubro de 2023.

A investigação da Polícia Federal também descreve uma estrutura digital voltada à produção de comentários favoráveis e à contenção de críticas. Segundo os documentos, Vorcaro pediu a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, que publicasse comentários positivos sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília.

Atuação sobre fundos de previdência

Vorcaro pediu ajuda ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza para tentar impedir uma norma que endureceria as regras de investimento dos fundos de previdência privada. De acordo com a PF, o banqueiro chamava o ex-diretor de “um anjo na vida”. A alteração poderia afetar os planos do Master de vender letras financeiras a regimes de previdência complementar de servidores públicos.

Documentos relacionados ao filme indicam que os produtores projetavam receita de US$ 45 milhões, equivalente a R$ 230 milhões na cotação mencionada. O valor seria 91% superior à bilheteria de “Minha Mãe é Uma Peça 3”, de 2019, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões.

Mendonça também rejeitou um pedido da PF para impedir uma mulher que estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão quando ele foi preso em março de viajar a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Nathana Lopes Figueiredo havia ligado para um delegado e perguntado se haveria problema em realizar a viagem, dizendo estar “muito abalada”.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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