BRASÍLIA — O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de usar politicamente a investigação sobre o banco Master para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em publicação nas redes sociais, chamou Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”.
A manifestação foi feita em defesa de Paulo Gonet, procurador-geral da República. O nome de Gonet aparece no relatório da investigação do Master, que tem Mendonça como relator. Gilmar afirmou que o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) tem “reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”.
A investigação policial reúne diálogos nos quais o advogado Ciro Soares envia a Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, mensagens atribuídas a Gonet. Em outras conversas, Vorcaro pede a Alexandre de Moraes que procure Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para impedir uma operação contra a instituição financeira.
Na sessão do STF de terça-feira (15), convocada para examinar referências a Moraes no caso Master, Gonet negou ter proximidade com Vorcaro. Gilmar sustentou que a reputação do procurador-geral foi atingida de forma injusta após a divulgação do conteúdo das conversas, que, segundo ele, não mostrava qualquer ato ilícito.
O ministro também questionou a decisão de expor Gonet mesmo depois de Mendonça reconhecer, durante a sessão, que não havia irregularidade atribuível ao procurador-geral. Para Gilmar, a publicação posterior de um vídeo do relator agradecendo o apoio popular reforçou o caráter político da atuação.
Gilmar afirmou que Mendonça não teria atuado como magistrado imparcial ao divulgar o vídeo. Na avaliação do ministro, a sequência dos acontecimentos mostrou uma tentativa de obter ganho político a partir do episódio e de beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.







