RIO DE JANEIRO E BRASÍLIA — Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 25, que a viagem feita da Flórida a Brasília em 19 de janeiro de 2025 não teve irregularidades. O senador também disse que a aeronave usada na ocasião pertencia ao advogado Willer Tomaz, que classificou como amigo próximo.
Na mesma agenda no Rio de Janeiro, Flávio negou qualquer relação entre a viagem e Daniel Vorcaro. Segundo ele, a viagem foi feita em família, a convite de Tomaz, com quem mantém uma relação antiga de convivência entre esposas e filhos.
“Não tem absolutamente nada de errado e não dá para querer criminalizar a amizade agora”, disse o senador, que atribuiu as críticas a uma tentativa de criminalizar relações pessoais. Ele também afirmou que, até a eleição, seriam divulgadas mentiras e fake news produzidas pelo PT.
Contatos antes da prisão
Flávio confirmou que tentou falar com Vorcaro nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro de 2025, um contato a cada dia anterior à prisão do ex-banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025. As tentativas incluíram mensagens e ligações não atendidas.
As informações foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido na primeira prisão do banqueiro. O aparelho continha três meses de conversas com o senador, além de menções a encontros e histórico de conversas apagado.
Flávio afirmou que queria tratar do filme Dark Horse, produção feita em homenagem a Jair Bolsonaro e que recebeu recursos de Vorcaro. “Queria falar com Vorcaro mais do mesmo, que é do filme [Dark Horse]”, declarou.
Defesa de Willer Tomaz
O senador disse que Tomaz é um advogado “respeitadíssimo” e que estaria sendo perseguido por sua proximidade com ele. Flávio afirmou ainda que não foi a primeira vez que viajou com o advogado e rejeitou a associação entre a aeronave e Vorcaro.
Em agosto deste ano, Tomaz foi alvo de uma fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Polícia Federal apontou indícios de que o advogado atuava como “hub financeiro, patrimonial e logístico” de políticos e para lavagem de dinheiro em favor do senador Weverton Rocha (PDT). Segundo os investigadores, Tomaz enviou R$ 11 milhões à mulher de Rocha e comprou uma casa para ele.
Tomaz negou vínculo com o esquema. Também afirmou que não é investigado e que os repasses à mulher do senador ocorreram porque ela é associada de seu escritório de advocacia há vários anos.
O advogado também ampliou os negócios de sua emissora de TV no Maranhão após uma mudança de regra do Ministério das Comunicações. A emissora passou a retransmitir uma TV de São Luís (MA) para outros 16 Estados. O ministério afirmou que aplicou critérios técnicos, enquanto Tomaz disse que não participava da operação nem influenciou a regra.







