São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Vorcaro repassou mais US$ 1,6 milhão ao filme Dark Horse após cobrança de Flávio Bolsonaro

Novo pagamento ocorreu em setembro de 2025 e elevou para US$ 12,3 milhões o total destinado à cinebiografia de Bolsonaro.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam em atraso.

A nova transferência foi divulgada nesta terça-feira (1º) pela revista “piauí”. A informação foi confirmada pelo g1.

O pagamento se junta a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — feitos até maio de 2025. Essas transferências já haviam sido noticiadas em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil e somavam R$ 61 milhões.

“Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais”, afirma a “piauí”.

A informação consta de um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) que investigam o caso, detalhados abaixo. O novo repasse foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio vinha dizendo que a última transferência de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025, versão contrariada agora pela PF. Em entrevista à GloboNews, quando o caso veio a público, o senador afirmou que o último pagamento feito pelo ex-banqueiro tinha sido naquele mês.

De acordo com as investigações, Vorcaro realizou os repasses ao filme por intermédio da Entre Investimentos e Participações, empresa pertencente a um aliado do ex-banqueiro. A Entre enviava os recursos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Depois, o fundo transferiria o dinheiro para a produtora Go Up.

Em uma mensagem de áudio, Flávio disse a Daniel que preferia falar daquela forma para que ele pudesse ouvir com calma. O senador afirmou saber que o ex-banqueiro atravessava um momento muito difícil e que, embora Daniel tivesse autorizado as cobranças, sentia-se constrangido em continuar pedindo os pagamentos.

Segundo a “piauí”, o repasse feito em setembro ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas vencidas. Pelo acordo original, esses pagamentos poderiam chegar a R$ 134 milhões, conforme o Intercept.

Valor pode ser maior

Ainda conforme a “piauí”, a quantia enviada por Vorcaro ao filme Dark Horse pode superar o valor já identificado. A revista obteve um trecho inédito de uma conversa entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para a produção.

Em uma mensagem enviada ao banqueiro em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou se ele conseguiria liberar as parcelas do filme. Vorcaro respondeu que havia liberado mais uma naquele dia. Na sequência, Miranda disse que avisaria os responsáveis e acrescentou que Flávio havia informado que ligaria para o ex-banqueiro.

A PF afirma que não há outros repasses no relatório financeiro do Coaf. Isso, porém, não elimina a possibilidade de a transferência ter sido realizada em 22 de outubro e ainda não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

“Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais”, afirma a “piauí”.

Ao chegar ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi questionado por jornalistas sobre a nova transferência revelada pela piauí. O senador respondeu que a questão deveria ser esclarecida pela produtora do filme. “Bom, essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso, gente. Tem que perguntar para a produtora, desculpa. Esse assunto eu não tenho como aprofundar. Tem que perguntar para a produtora.”

O financiamento do filme de Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro, relatado pelo ministro André Mendonça, examina os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias das transferências, a origem dos recursos, o valor exato e o destino final do dinheiro. Os investigadores suspeitam que uma parcela não tenha sido aplicada no filme.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar a produção.

Também há uma investigação em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi executado integralmente, e há suspeitas de que parte dos recursos tenha sido desviada.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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