São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Fiscal teria pago R$ 250 mil por mês para permanecer em cargo até a aposentadoria

Delação aponta que André Weiss recebeu cerca de R$ 4,5 milhões em espécie para manter Paulo Sérgio Siqueira do Prado em posto estratégico.

Fiscal teria pago R$ 250 mil por mês para permanecer em cargo até a aposentadoria
Foto: Reprodução

O fiscal Paulo Sérgio Siqueira do Prado, conhecido como “PP”, afirmou ao Ministério Público de São Paulo que pagava R$ 250 mil mensais ao auditor André Weiss para permanecer no comando da Delegacia Regional Tributária da Capital III (DRTC III) até sua aposentadoria, em 2024. A acusação integra o inquérito da Operação Caldarium, que levou à prisão de Weiss e do advogado João André Buttini de Moraes na quinta, 3.

Segundo a delação, os pagamentos começaram em meados de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização Tributária. Ao longo do período, “PP” teria repassado cerca de R$ 4,5 milhões em espécie ao superior. As entregas ocorriam em mochilas, geralmente em restaurantes da rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros, ou em uma doceria da rua Pedroso de Moraes.

Influência sobre cargos na Fazenda

Até maio passado, Weiss ocupava a chefia da Diretoria de Fiscalização Tributária, posição que lhe dava influência sobre nomeações, diretores, delegados regionais tributários e outros servidores em todo o Estado. Em agosto de 2024, ele foi promovido ao comando da Diretoria Executiva da Administração Tributária (DEAT), unidade de cúpula da administração tributária.

Para a Promotoria, os pagamentos não estavam ligados a decisões específicas em processos, mas à permanência de um servidor em uma posição estratégica. Ao determinar a prisão de Weiss, o juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza afirmou que a vantagem indevida remunerava “a própria alocação do agente público no ponto da estrutura em que a decisão viria a ser tomada”.

A DRTC III concentrava procedimentos relacionados a empresários que buscavam ressarcimento antecipado de créditos tributários inflados. Buttini de Moraes faria a ligação entre os contribuintes e a Receita estadual, negociando condições, honorários e valores destinados aos integrantes do esquema.

O Ministério Público afirma que Weiss liderava o núcleo público da organização, enquanto o advogado atuava no núcleo privado. A Fazenda estadual informou que trabalha com a Promotoria e que já demitiu cinco auditores e afastou 17 desde o início das apurações. A defesa de Buttini de Moraes disse que prestará esclarecimentos às autoridades, e o advogado foi afastado da gestão do escritório para se dedicar à própria defesa. A defesa de Weiss não havia se manifestado.

Em fevereiro passado, após buscas em sua residência, “PP” decidiu colaborar com as investigações. Mesmo aposentado, ele teria intermediado o acesso de um advogado à cúpula da DRTC III. Em 6 de janeiro de 2026, escreveu: “Não citar o meu nome também”.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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