São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Fintechs ligadas à Operação Crédito Oculto movimentaram R$ 11,6 bilhões

Receita Federal afirma que empresas foram usadas em estruturas para ocultar patrimônio e viabilizar a compra da distribuidora Terrana.

Fintechs ligadas à Operação Crédito Oculto movimentaram R$ 11,6 bilhões

Um grupo de fintechs associado ao esquema investigado na Operação Crédito Oculto movimentou R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025, informou a Receita Federal. Entre as empresas estão a EntrePay e a BK Bank, que já haviam sido alvo, respectivamente, das operações Compliance Zero e Carbono Oculto.

A operação foi deflagrada nesta quinta-feira, dia 24, por Receita Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, Polícia Militar e Polícia Civil. Ao todo, foram cumpridos 32 mandados de busca em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo a Receita, o volume movimentado, analisado junto com outras evidências, reforça suspeitas de que estruturas financeiras e de investimento tenham sido utilizadas para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

Estruturas financeiras

A Receita informou que o objetivo da investigação é esclarecer o uso de estruturas complexas para a aquisição da Terrana, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. A apuração identificou, inicialmente, a ocultação do controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, sua utilização na compra da distribuidora.

Um dos principais pontos envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina Itajobi. De acordo com a Receita, a operação teria sido estruturada para conferir aparência de legitimidade e dificultar a identificação dos beneficiários reais.

A ocultação da titularidade da usina teria ocorrido em duas etapas, com a participação de dois grupos de operadores do mercado financeiro. A usina também teria recebido R$ 100 milhões enviados para financiar a aquisição da distribuidora.

O Ministério Público de São Paulo informou que os recursos passaram, em poucos minutos, por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo. Essas contas eram mantidas em fintechs e funcionavam como contas de passagem até o dinheiro chegar à usina.

A Receita afirmou ainda que a usina foi incluída na carteira de um fundo criado para a operação. O fundo adquiriu um certificado de depósito bancário vinculado perante um banco tradicional, que teria usado os recursos em uma operação casada com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada.

Participação do mercado financeiro

A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Márcia Meng, disse que a novidade da operação foi o uso de uma usina sucroalcooleira como ativo para dar aparência de legalidade à lavagem de dinheiro por meio de empréstimos simulados. Conforme acusação do Gaeco, a instituição financeira envolvida seria o Banco Genial.

“Temos de atacar estrutura e fechar brechas; se elas ficarem abertas alguém vai aproveitar de novo”, afirmou Márcia Meng.

A estrutura identificada pela Receita reuniria banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. O órgão afirmou que esses mecanismos foram organizados para afastar os recursos ilícitos dos verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.

Para a Receita, a investigação aponta a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, com participação de operadores do mercado financeiro que prestariam serviços a grupos criminosos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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