São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Disputa regional no Equador é marcada por suspensões e calendário antecipado

Impedimentos a candidaturas oposicionistas e a antecipação da votação levaram a CIDH a alertar para riscos ao pluralismo político.

Disputa regional no Equador é marcada por suspensões e calendário antecipado

A disputa pelas eleições regionais do Equador, marcadas para 29 de novembro, ocorre sob questionamentos sobre a participação da oposição e as condições de competição. Luisa González, ex-candidata à Presidência e liderança contrária ao presidente Daniel Noboa, teve três tentativas de candidatura ao governo de Manabí impedidas.

González tentou concorrer pela Revolución Ciudadana (RC), partido do ex-presidente Rafael Correa, mas a legenda foi suspensa pela Justiça Eleitoral por nove meses. Candidatos ligados ao grupo migraram para o movimento Amigo, também suspenso. Depois, González aceitou o convite do Pachakutik, braço político do movimento indígena, mas sua candidatura foi novamente barrada.

A oposição acusa Noboa de instrumentalizar instituições para afastar adversários. Não há provas diretas de envolvimento do governo, e o presidente nega a acusação. A sucessão de decisões contra candidaturas e partidos, somada à mudança no calendário, levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a pedir garantias de “participação política plural e igualitária”.

Calendário e decisões eleitorais

As eleições estavam previstas para 14 de fevereiro de 2027. Em 27 de março, o Conselho Nacional Eleitoral decidiu antecipá-las para 29 de novembro deste ano. O órgão justificou a mudança pelo risco de chuvas e inundações associadas a um fenômeno El Niño intenso no início do próximo ano, que poderiam prejudicar a votação.

Para César Ricaurte, diretor da Fundamedios, a justificativa é fraca. Noboa atribuiu a decisão ao CNE e afirmou que a antecipação ajudaria eleitores de áreas rurais da Costa, onde a oposição é forte, a chegar às urnas. A oposição sustenta que a mudança reduziu quase três meses disponíveis para recursos, alianças e reorganização.

A CIDH também afirmou que restrições à participação política precisam ser necessárias e proporcionais. Para a comissão, elas não podem excluir de forma arbitrária alternativas eleitorais nem limitar o pluralismo e o direito de escolha dos eleitores.

A suspensão da RC ocorreu em março, a pedido da Procuradoria, no caso Caja Chica. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e financiamento irregular da campanha presidencial de 2023. Em agosto, a Justiça Eleitoral rejeitou uma denúncia contra Pabel Muñoz, prefeito correísta de Quito que busca a reeleição.

Imprensa sob pressão

Ricaurte afirma que a fragilidade institucional antecede Noboa e relaciona a legislação eleitoral atual ao período de Rafael Correa. Também avalia que a imprensa enfrenta dificuldades: além das pressões estatais, jornalistas e comunicadores passaram a sofrer ataques do crime organizado. A Fundamedios registrou seis assassinatos de profissionais em 2025 e 231 agressões contra a liberdade de expressão e direitos relacionados.

Noboa sustenta sua atuação política no combate ao crime organizado, com maior participação das Forças Armadas e cooperação aprofundada com os Estados Unidos. O presidente também se aproximou de Donald Trump: participou da posse do presidente americano em janeiro de 2025 e, em março deste ano, esteve na primeira cúpula do Escudo das Américas, iniciativa voltada ao combate aos cartéis e ao crime transnacional.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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