São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Como a urna eletrônica combina software e hardware para proteger a votação

Sistema próprio, chips criptográficos e auditorias formam uma estrutura isolada para garantir a integridade e o sigilo do voto.

Como a urna eletrônica combina software e hardware para proteger a votação
Foto: Abdias Pinheiro/TSE

A urna eletrônica completa 30 anos em 2026 como a parte mais visível de um sistema que reúne software próprio, componentes criptográficos, auditorias e uma logística específica para a transmissão dos resultados. Nas eleições, o equipamento é usado para a escolha de presidente da República, governador, senador e deputados federal e estadual. O primeiro turno está previsto para 4 de outubro, com possibilidade de nova votação em 25 de outubro.

As eleições municipais de 2024 mobilizaram mais de 155 milhões de eleitores e cerca de dois milhões de mesários. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi o maior pleito informatizado do mundo.

Sistema próprio e periféricos autenticados

O sistema operacional da urna é o UEnux, baseado em Linux e desenvolvido para o TSE. Adotado oficialmente a partir do modelo UE2008, ele contém apenas as aplicações necessárias para a votação. Não oferece terminal de comandos exposto nem dispositivos físicos de rede, como placas de Wi-Fi ou entradas para cabos de internet.

O sistema aceita somente o hardware oficial e impede a instalação de programas externos. Seu núcleo valida a assinatura digital dos itens executados, permitindo apenas a operação de softwares oficiais e íntegros.

A proteção também está nos componentes físicos. O teclado, o leitor biométrico e a impressora térmica possuem chips criptográficos próprios e só funcionam quando reconhecidos pelo sistema do TSE. Tentativas de substituição por peças não autorizadas são identificadas.

A urna conta ainda com mecanismos de travamento diante de ataques físicos ou digitais e com o Módulo de Segurança Embarcado (MSE). O chip funciona como uma estrutura de armazenamento de chaves criptográficas, além de encriptar dados e assinar digitalmente o Boletim de Urna (BU) e o Registro Digital do Voto (RDV).

Para Jéferson Campos Nobre, professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), o sistema próprio permite ao Brasil manter acesso ao código-fonte e não depender do controle de uma empresa sobre parte do software executado no equipamento.

Auditoria, lacração e transmissão

A Justiça Eleitoral submete o código-fonte dos sistemas eleitorais e da urna a uma auditoria obrigatória por instituições externas. Depois de quase um ano de verificação, os programas são compilados, recebem assinaturas digitais de gestores do TSE, da Procuradoria-Geral da República e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e são guardados em mídias na sala cofre do TSE.

Na inicialização, a urna faz uma checagem algorítmica das assinaturas. Se o sistema não corresponder às chaves oficiais, o equipamento trava e não inicia. A validação ocorre sem conexão com a internet ou com redes de dados durante a votação.

Ao fim do pleito, a urna produz o Boletim de Urna impresso e digital. O arquivo criptografado e assinado é armazenado na Mídia de Resultado (MR), que é levada a um ponto de transmissão chamado JE Connect. A transferência ocorre por uma VPN criptografada e por uma rede privada via satélite ou fibra dedicada, isolada da internet pública.

O RDV registra os votos de forma embaralhada, sem permitir a associação entre eleitor e escolha. Na transmissão, são enviados os totais consolidados do Boletim de Urna, e não votos individuais.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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