São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Emendas avançam no Orçamento e reduzem espaço para investimentos públicos

Recursos parlamentares chegaram a R$ 49,9 bilhões previstos para 2026, enquanto especialistas apontam perda de espaço do Executivo na execução orçamentária.

Emendas avançam no Orçamento e reduzem espaço para investimentos públicos
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

As emendas parlamentares passaram a representar 28,47% das despesas discricionárias, ante 8,65% em 2017. O avanço reduziu o espaço de decisão do Executivo sobre a execução do Orçamento e colocou o tema entre os principais desafios do presidente que assumirá o cargo em 2027.

Os valores destinados às emendas saíram de R$ 9,7 bilhões para R$ 49,9 bilhões previstos no Orçamento de 2026. Considerada a inflação do período, o montante inicial equivaleria a R$ 17,1 bilhões. A participação no Orçamento total também aumentou, de 0,33% em 2017 para 0,89% neste ano.

Venilton Tadini criticou a destinação de R$ 60 bilhões do orçamento público para emendas parlamentares, enquanto a infraestrutura recebe três vezes menos recursos.

Disputa entre os Poderes

Especialistas das áreas econômica e política avaliam que o crescimento das emendas transferiu ao Legislativo parte de poderes antes concentrados no Executivo. Para Felipe Salto, economista-chefe da Warren, os recursos chegaram a “um nível insustentável” e precisam ser avaliados com urgência.

Salto defende que as emendas sejam vinculadas a projetos estruturantes e tenham valor menor. Na avaliação dele, parte dos recursos atende às Santas Casas e ao SUS, mas o financiamento desses serviços deveria ser discutido de forma mais abrangente, em vez de distribuído caso a caso por meio das emendas.

O economista também afirmou que os investimentos públicos estão muito baixos e só não chegaram a zero por causa de iniciativas do PAC, que criaram uma proteção orçamentária. Ele relacionou o tema à necessidade de gerar superávits primários suficientes para estabilizar a dívida-PIB.

No Supremo Tribunal Federal, o ministro Flávio Dino relata ações sobre emendas e já tomou decisões que limitaram esses recursos e o poder do Legislativo. Em agosto, o ministro André Mendonça afirmou que as emendas representam uma “evidente invasão” do Legislativo sobre as escolhas do Executivo.

Programas de governo

Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o tema em seu plano de governo e propôs enfrentar o sistema de emendas parlamentares. Renan Santos e Romeu Zema também mencionaram o assunto em seus programas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral, defendendo a revisão do montante destinado pelos parlamentares.

O analista Creomar de Souza avalia que o cenário político trabalha com a possibilidade de Lula permanecer na Presidência em 2027. Para ele, o Judiciário pode atuar como freio ao Legislativo, enquanto a reação do Congresso dependerá de sua composição a partir do ano que vem.

Sergio Simoni Júnior, professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo, vê o crescimento das emendas como parte das mudanças no sistema político brasileiro. Segundo ele, o modelo conhecido como presidencialismo de coalizão perdeu capacidade de explicar o funcionamento atual, em meio ao fortalecimento do Legislativo e do Judiciário.

Simoni considera pequena a possibilidade de o próximo presidente reduzir ativamente o total das emendas. Na avaliação dele, uma mudança por meio do STF talvez seja a única alternativa para alterar o quadro. O estudo citado no levantamento também indica que seis em cada dez municípios já têm ou estão criando emendas parlamentares municipais.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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