A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ajustar a comunicação após identificar forte reação negativa nas redes sociais a menções que associam Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e o Banco Master. No monitoramento recebido pelo grupo, quase 90% das manifestações sobre essa combinação foram críticas.
A nova orientação foi definida em uma reunião de mais de cinco horas, realizada nesta quarta-feira, 9. A estratégia prevê reduzir gradualmente a associação entre Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sem que o presidente faça ataques diretos ou rompa de forma abrupta a defesa que vinha manifestando sobre a atuação do magistrado.
O plano também estabelece uma mudança no tom das entrevistas de Lula. A campanha quer que o presidente cobre explicações e o mesmo padrão de conduta de diferentes setores da vida pública. A linha será comparar a exigência de transparência feita ao próprio filho, diante de denúncias e suspeitas relacionadas ao escândalo no INSS e a tratativas com pessoas citadas no caso, à cobrança de esclarecimentos de ministros do STF quando forem questionados.
A avaliação interna é que um afastamento repentino poderia parecer incoerente diante do histórico recente de apoio à atuação de Moraes nos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro. Por isso, integrantes da campanha defendem uma transição gradual.
O núcleo político do governo e dirigentes do PT, porém, ainda divergem sobre os possíveis efeitos do julgamento marcado pelo presidente do STF, Edson Fachin, para a próxima terça-feira, dia 15. A sessão decidirá sobre a abertura de investigação contra Moraes. Há preocupação de que uma eventual vitória do ministro provoque nova indignação popular e volte a vincular o governo à imagem dele.
Ao fim da reunião, prevaleceu a avaliação de que Lula já esteve mais associado a Moraes e de que a mudança de tom pode consolidar o afastamento na reta final de campanha.







