O julgamento marcado para o próximo dia 15 no Supremo Tribunal Federal, sobre a possibilidade de Alexandre de Moraes ser investigado, também envolve o controle da Polícia Federal. A definição terá impacto sobre investigações que chegaram ao centro de uma articulação de poder formada dentro do STF, em conjunto com o Executivo, os chefes das Casas Legislativas e dirigentes de agremiações políticas.
A disputa ocorre enquanto o presidente do STF tenta recuperar autoridade após Flávio Dino ter assumido o comando do processo por algumas horas. A presidência da Corte retomou o caso sob o argumento de que era necessário recolocá-lo em ordem. A condução do inquérito das fake news por Moraes havia sido definida por Toffoli. Por isso, a mudança posterior para Fachin é apresentada como uma decisão que também poderia retirar Moraes da investigação.
A situação, porém, ainda não estaria resolvida para Fachin. O Supremo é descrito como uma instância política, em um processo agravado pela atuação de integrantes que teriam transformado a Corte em um espaço de defesa de interesses próprios, inclusive pecuniários. Nesse cenário, a perda de legitimidade teria levado parte do público a enxergar o tribunal como um problema, e não como solução, no combate à corrupção.
Pressões externas
As Forças Armadas aparecem como um fator de apoio a Fachin. A discrição dos comandantes é associada a um recado transmitido verbalmente há meses: os militares esperariam que o STF adotasse com Moraes a mesma medida tomada com Bolsonaro. O temor seria de instabilidade e de um eventual cenário de desobediência civil, diante da atuação de Moraes, Dino e Gilmar.
A oposição à permanência de Moraes no STF alcançaria diferentes segmentos sociais. O bolsonarismo explora esse movimento eleitoralmente, mas a resistência é descrita como mais ampla. No entorno de Lula, assim como entre os principais nomes da oposição, as investigações conduzidas nesse ambiente são apresentadas como parte central da disputa pelo poder.







