A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e o impasse sobre o comando da Polícia Federal (PF) dividiram o debate político nas redes sociais entre 8 e 12 de setembro. Análise do Instituto Democracia em Xeque identificou interpretações opostas entre perfis de extrema direita e de esquerda sobre decisões recentes da Corte.
Perfis classificados como de extrema direita pelo instituto elegeram o presidente do STF, Edson Fachin, como principal alvo. Essas contas associaram a atuação do ministro a uma tentativa de blindar Alexandre de Moraes e a PF. A desconfiança também alcançou a decisão de Fachin de assumir a relatoria do inquérito das fake news, anteriormente sob responsabilidade de Moraes.
A esquerda, por sua vez, criticou André Mendonça por afastar Andrei. Na avaliação desses perfis, a medida poderia impedir a investigação sobre repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, apontado como candidato a presidente, é investigado por ter pedido o dinheiro a Vorcaro.
Alcance do debate
O instituto examinou publicações de mais de 19 mil perfis, incluindo influenciadores, políticos, mídia partidária e mídia tradicional, em X, Facebook, Instagram, YouTube e TikTok. Foram consideradas 30,6 mil publicações e 204 milhões de interações. A extrema direita respondeu por 54% das publicações, a esquerda por 29% e a imprensa por 17%.
A decisão de Flávio Dino que reverteu o afastamento de Andrei foi o tema mais comentado, com 27% do total. Em 9 de setembro, o assunto atingiu 53 mil publicações por hora, maior intensidade registrada no período.
Na sequência, apareceram as decisões de Fachin, com 25%; o impasse sobre o comando da PF, com 19%; a operação relacionada ao filme Dark Horse, com 14%; a corrida eleitoral, com 11%; e o eixo “lei acima de todos”, associado à defesa da transparência das investigações e a uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A esquerda predominou apenas no volume de publicações sobre a operação autorizada por Dino para investigar se emendas parlamentares financiaram o filme. Esse tema representou 20% da produção dos perfis progressistas. Eles superaram a extrema direita nesse assunto por 43% a 38%.
O relatório também registra que os perfis de direita concentraram mais publicações sobre as decisões de Fachin, por 56% a 21%; o comando da PF, por 52% a 23%; e a corrida eleitoral, por 52% a 25%.
A crise no STF começou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF sobre mensagens enviadas por Vorcaro a um celular atribuído pelos investigadores a Moraes. O documento reúne 52 mensagens e cita aeronaves e contratos envolvendo o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Fachin marcou para a próxima terça-feira, 15, uma sessão do Plenário para analisar o relatório. Ele é pressionado por diferentes alas do STF a adiar a sessão.







