BRASÍLIA — O governo Luiz Inácio Lula da Silva e o PT mantiveram uma estratégia de proteção indireta a Alexandre de Moraes, apesar da pressão para que o presidente se afastasse do ministro. Lula deixou de fazer elogios públicos a Moraes, mas não adotou críticas incisivas sobre as suspeitas relacionadas ao magistrado.
A reação governista deslocou o foco para o ministro André Mendonça. No Judiciário, Flávio Dino passou a atuar em ações contra Mendonça. Nas redes sociais, aliados de Lula também elevaram o tom contra o magistrado.
Interlocutores do governo admitiam, nesta terça-feira, 15, que nenhum desfecho no Supremo Tribunal Federal seria favorável ao presidente. A autorização de uma investigação poderia transformar Moraes em alvo de inquérito e fortalecer os discursos bolsonaristas. O adiamento do caso, por outro lado, reforçaria a percepção de que aliados de Lula atuam para ajudar o ministro.
Pressão eleitoral
A campanha petista avaliou, em reunião realizada no último dia 9, que o caso envolvendo Moraes causa mais impacto sobre Lula do que as denúncias relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O encontro durou mais de cinco horas e incluiu a revisão do cenário político.
Um monitoramento digital recebido pela campanha registrou aumento nas menções à crise do Supremo Tribunal Federal. Nas referências conjuntas a Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master, quase 90% das reações foram críticas.
A troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes, que incluiria um pedido de orientação sobre o dia da fuga, foi seguida por novas quedas nas intenções de voto de Lula. As pesquisas mais recentes colocaram Flávio Bolsonaro, do PL, numericamente à frente, embora os dois permanecessem em empate técnico.
O PT considera preocupante a possibilidade de Jair Bolsonaro terminar à frente nas projeções de 1º turno. A duas semanas do primeiro turno, a campanha avalia que há pouco espaço para mudanças improvisadas na estratégia. Lula havia afirmado apenas que “todos devem prestar esclarecimentos”.







