A circulação de uma falsa informação sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora de Aparecida tornou-se mais um episódio da disputa política nas redes sociais. O boato afirma que o candidato retiraria da santa o título de padroeira da nação, embora a discussão ocorra em um Estado laico.
A alegação não é inédita. Em 2018, Jair Bolsonaro foi acusado de querer mudar o tom de pele da imagem de Nossa Senhora. Na nova versão, o deputado André Janones publicou um vídeo para sustentar que a informação seria verdadeira. O vice-presidente da República também declarou que “o governo irá proteger e preservar as instituições religiosas”, enquanto o caso ganhava espaço nas redes.
A dinâmica descrita combina comunicação eletrônica e mecanismos antigos de propagação de rumores. A velocidade da circulação, porém, não elimina a necessidade de verificar informações, distinguir fatos de invenções e corrigir equívocos. A avaliação apresentada é que as preferências políticas frequentemente definem a credibilidade atribuída a cada boato.
O bolsonarismo aparece como alvo dessa falsidade, mas também é associado à disseminação de outras narrativas fraudulentas. Entre os exemplos citados estão a afirmação de que um código-fonte poderia alterar o resultado das urnas em benefício de Lula e a história do chamado “Kit gay”, que seria distribuído a crianças durante gestões do PT.
A controvérsia também expõe a aplicação seletiva da indignação. A reflexão proposta é se um petista se incomodaria com a permanência do boato caso ele contribuísse para uma vitória de Lula — e se a reação seria inversa entre apoiadores do bolsonarismo. Nesse enquadramento, o episódio envolvendo Nossa Senhora é tratado como manifestação recorrente do vale-tudo eleitoral.







