Luís Roberto Barroso afirmou que a repercussão de falhas pontuais pode produzir uma percepção distorcida sobre o Poder Judiciário. Em vídeo publicado nas redes sociais hoje, 25, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou apoio aos juízes e disse que a rotina de decisões não recebe a mesma atenção pública que episódios negativos.
“Milhares de decisões diárias bem fundamentadas e que distribuem justiça não são notícia”, afirmou Barroso. Na avaliação do ministro, a exposição de um erro ou de uma irregularidade pode levar à impressão de que problemas são frequentes na Justiça, embora a maioria dos magistrados atue com seriedade, competência e dedicação.
Barroso está aposentado desde outubro de 2025. Ao comentar a atuação dos juízes, ele disse que a análise de casos isolados não deve ser usada para generalizar o funcionamento do Judiciário. Também afirmou que, fora do foco público, magistrados continuam desempenhando a função de distribuir justiça.
O vídeo foi divulgado durante a crise no STF envolvendo ministros da Corte e Daniel Vorcaro, dono do Banco Mater. O caso ganhou repercussão após a divulgação, em 1º de setembro, de mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes com pedidos de auxílio e orientações. Depois disso, foram identificadas novas ligações entre o ex-banqueiro e outros integrantes do tribunal.
Entre os episódios mencionados estão documentos que apontaram um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Também foram divulgados cartões de crédito, com limites de R$ 300 mil, emitidos pelo banco para os dois filhos do casal.
Mensagens atribuíram ainda a indicação de pagamentos de R$ 500 mil a Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. O filho de Luiz Fux, Rodrigo Fux, trocou mensagens com Vorcaro e foi convidado para auxiliar em um caso. Gilmar Mendes também se reuniu com o banqueiro e advogados do Master, mas proferiu decisão desfavorável a ele.
“Um juiz íntegro é uma bênção para o País e para a democracia”, disse Barroso. Ele sustentou que a atuação predominante dos magistrados não deve ser definida pelos episódios que alcançam maior visibilidade.







