São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Anúncios falsos de programas públicos passaram pela verificação do Google

Levantamento do NetLab identificou campanhas que imitavam canais oficiais e direcionavam usuários a 35 sites fraudulentos.

Anúncios falsos de programas públicos passaram pela verificação do Google
Foto: Reprodução/NetLab

O NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou dezenas de anúncios fraudulentos exibidos pelo Google entre 12 e 25 de agosto. As campanhas usavam nomes e elementos visuais de programas públicos, como Desenrola Brasil, Sistema Valores a Receber (SVR) e CNH Brasil, para levar usuários a sites falsos.

Entre os anúncios havia uma peça com a imagem de uma mulher sorridente, o símbolo do “gov.br” e a mensagem: “Parabéns! Seu CPF foi aprovado para o Desenrola 2026.” Embora imitasse a identidade visual do governo brasileiro, o material não era da administração federal.

O levantamento faz parte de uma nota técnica do NetLab e foi realizado a partir da Central de Transparência de Anúncios do Google. Os pesquisadores localizaram 50 anúncios falsos relacionados ao Desenrola Brasil, 17 sobre o SVR e dois ligados à CNH do Brasil. As campanhas envolviam 44 anunciantes e direcionavam o público a 35 sites diferentes.

Nenhum dos endereços terminava em “gov.br”. Seis, porém, reproduziam o layout de canais oficiais, em uma prática conhecida como phishing. Os anúncios também usavam símbolos e marcas associados ao governo federal, como Gov.br, Canal Gov, Caixa Econômica Federal e o Brasão de Armas do país.

As chamadas buscavam atrair pessoas interessadas em programas públicos ou em resolver problemas financeiros. Entre as mensagens estavam “Seu nome está na lista para desenrolar. Você foi selecionado para desenrolar!” e “Valor Disponível em Seu Nome? Veja Agora”. Para o NetLab, a escolha dos programas indica que os golpistas acompanhavam o noticiário oficial. O Desenrola Brasil foi o principal alvo e continuou aparecendo nas campanhas até agosto, quando o programa foi encerrado pelo governo federal.

Todos os anunciantes identificados haviam passado pela verificação do Google. A empresa apresenta o procedimento como uma forma de comprovar a identidade e a legitimidade de quem anuncia. Depois da checagem, o nome e a localização do responsável aparecem na Central de Transparência.

Segundo o NetLab, os anúncios violavam as regras do próprio Google, e a aprovação dos anunciantes representava um problema de governança da infraestrutura publicitária. O laboratório também afirmou que os dados permitem concluir que a empresa lucrava com anúncios fraudulentos relacionados a políticas públicas destinadas a parcelas vulneráveis da população.

A Central de Transparência foi questionada ainda por não permitir buscas por palavras-chave. A ferramenta também não informa o valor gasto, o número de pessoas impactadas nem oferece o download dos dados. Na avaliação dos pesquisadores, essas limitações dificultam a localização de campanhas quando não se conhece previamente o anunciante ou o site promovido.

Durante o levantamento, 25 dos 50 anúncios relacionados ao Desenrola desapareceram. Não foi possível determinar se foram moderados pelo Google, removidos por outros motivos ou se expiraram. O NetLab afirmou que a falta de histórico pode indicar que o problema é maior do que o identificado, mas não descartou ações da empresa contra fraudes.

O Google afirmou: “Temos políticas claras que definem as regras para anunciar no Google Ads e utilizamos uma combinação de inteligência artificial, atuando de forma preventiva, e revisores humanos para monitoramento.” A empresa disse que, no Brasil, bloqueou ou removeu 374 milhões de anúncios e suspendeu 1,3 milhão de contas ao longo de 2025, conforme o Relatório de Segurança de Anúncios.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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