São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Anotações e contatos antecederam prisão de Daniel Vorcaro, aponta PF

Relatório afirma que mensagens e reuniões indicam acesso antecipado a informações sigilosas e tentativa de organizar viagem ao exterior.

Anotações e contatos antecederam prisão de Daniel Vorcaro, aponta PF

Registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro indicam que o ex-banqueiro acionou contatos e alterou seus planos antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A Polícia Federal afirma que ele buscou organizar uma viagem internacional depois de receber informações sobre a investigação envolvendo o Banco Master.

Vorcaro foi detido na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. No dia seguinte, 18 de novembro, a PF cumpriu os demais mandados da operação.

As conclusões estão em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal. A divulgação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça, a pedido de Edson Fachin, presidente do STF.

Registros sobre a investigação

Segundo os investigadores, o acesso de Vorcaro a dados reservados aumentou nas semanas anteriores à operação. Em 17 de outubro de 2025, uma reunião restrita entre integrantes da PF e do Banco Central tratou das apurações sigilosas relacionadas ao Banco Master.

Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro anotou no celular os nomes completos de delegados, agentes da PF e procuradores da República ligados ao caso. Em 30 de outubro, registrou uma nota intitulada “De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados”. Na anotação, afirmou que as informações eram 100% confiáveis por terem vindo de pessoas envolvidas diretamente nas discussões e disse que não poderia “queimá-los”.

A PF também identificou, em 16 de novembro, uma anotação na qual Vorcaro perguntava se um interlocutor tinha proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável pelas medidas cautelares sigilosas da investigação na 10ª Vara Federal Criminal de Brasília. Outros documentos mostram que ele perguntou ao ministro Alexandre de Moraes se deveria deixar o país dois dias antes da prisão.

Reunião no Banco Central

Na manhã de 17 de novembro, às 7h28, Vorcaro recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde. De acordo com os investigadores, depois disso ele passou a organizar uma viagem para fora do Brasil.

Ao mesmo tempo, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy. Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou a existência de um inquérito contra o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Vorcaro encaminhou o material a Warde, que o usou para protocolar uma petição urgente em busca de acesso aos autos, então sigilosos. Em mensagens, o advogado afirmou que pressionava o magistrado responsável pelo caso pelo WhatsApp.

A PF sustenta que Vorcaro também procurou os servidores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana para viabilizar uma videoconferência com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino. Na reunião, realizada no início da tarde, Vorcaro comunicou a suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e disse que precisaria viajar a Dubai naquela noite para assinar contratos.

A defesa apresentou posteriormente, em habeas corpus, uma declaração assinada por Paulo Sérgio para sustentar que a viagem aos Emirados Árabes tinha finalidade empresarial. O advogado Odel Antun afirmou que Paulo Sérgio buscava, a pedido de Ailton, uma solução para a Will Financeira, que corria risco de quebrar na grade de liquidação de cartões de crédito das 11h daquele dia caso não recebesse auxílio da Mastercard.

A defesa de Paulo Sérgio disse que a reunião foi registrada posteriormente em ata por determinação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do procurador-geral Cristiano Cozer, do subprocurador Lucas Freire e do diretor Ailton. Segundo Odel Antun, um e-mail comprova a determinação.

A interpretação da PF é distinta. Para os investigadores, a reunião foi articulada às pressas para criar uma justificativa formal para a saída de Vorcaro do país. A PF resumiu a avaliação no relatório: “Vorcaro tomou ciência prévia da operação policial deflagrada no dia 18/11/2025, acionando previamente a sua rede de contatos para mitigar seus efeitos”.

Diego Escosteguy afirmou que sua relação com os investigados sempre foi estritamente profissional. A defesa de Walfrido Warde não quis comentar. Os demais citados foram procurados e ainda não se manifestaram.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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