TENNESSEE — Um tribunal dos Estados Unidos suspendeu, nesta quarta-feira (3), a execução de Christa Pike pouco antes da aplicação da injeção letal. A ordem foi emitida pelo Tribunal de Apelações do Sexto Distrito e mantém a suspensão até segunda ordem.
Pike, hoje com 50 anos, foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, sua colega no centro de formação profissional Job Corps de Knoxville. O crime ocorreu em janeiro de 1995, quando Pike tinha 18 anos. Segundo os depoimentos do julgamento, ela, o namorado Tadaryl Shipp, de 17 anos, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer, de 19 anos, para uma área de mata, onde a torturaram e mataram.
O assassinato teve ampla cobertura da imprensa à época. Os autores entalharam um pentagrama no peito da vítima. Depoimentos indicaram que Pike via Slemmer como rival pelo afeto de Shipp.
Pike e Shipp confessaram o crime e foram condenados no ano seguinte por homicídio em primeiro grau. Ela recebeu pena de morte; ele foi condenado à prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Em agosto de 2001, Pike também foi condenada por tentativa de homicídio em primeiro grau após agredir outra detenta, segundo o Departamento de Administração Penitenciária do Tennessee.
Pedido de clemência
O governador Bill Lee negou o pedido de clemência apresentado pela defesa. Em uma petição de 226 páginas, os advogados pediram que a pena de morte fosse convertida em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
A defesa documentou episódios de violência, negligência e abuso sexual sofridos por Pike na infância, incluindo dois estupros, aos 11 e aos 17 anos. Também citou diagnósticos de transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático recebidos na prisão, além de evidências de que o consumo excessivo de álcool pela mãe durante a gravidez teria contribuído para falhas no desenvolvimento cerebral.
“Christa é uma mulher de 50 anos, arrependida, que compreende seus atos, recebe tratamento adequado para sua doença mental e oferece apoio e orientação a outras mulheres encarceradas”, escreveram os advogados em resposta à negativa de clemência.
A mãe de Slemmer, May Martinez, manifestou-se a favor da execução. Especialistas em violência sexual e trauma defenderam a comutação da pena, afirmando que a injeção letal poderia fazer Pike reviver lembranças do abuso sexual e dos estupros sofridos na infância. Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas também pediu recentemente a mudança da pena.
Execuções de mulheres são raras nos Estados Unidos: elas correspondem a 18 das 1.683 pessoas executadas desde que a Suprema Corte autorizou a retomada da pena de morte, em 1976. Antes desta quarta-feira, o Tennessee havia executado 17 pessoas. Em maio, autoridades penitenciárias interromperam tentativas de executar um homem condenado por homicídios após não encontrarem uma veia adequada para a injeção letal.








