O documentário “Rescue”, da diretora e antropóloga dinamarquesa Sine Plambech, acompanha operações de resgate no mar Mediterrâneo e a trajetória de migrantes que tentam chegar à Europa após fugir de guerras e crises econômicas e políticas. A produção estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) e chega à Europa nesta sexta-feira, no Festival de Cinema de Zurique.
As câmeras registram uma operação da ONG Médicos Sem Fronteiras para retirar migrantes de uma pequena embarcação. Em uma das sequências, uma família iemenita é separada quando um grupo armado sequestra alguns de seus integrantes diante das equipes de resgate. Um homem acolhido pelos ativistas chora e grita pela família.
Plambech afirmou que a produção foi o trabalho mais difícil de sua carreira por ter testemunhado a captura e acompanhado o marido da mulher sequestrada nos bastidores. O filme segue Hani, um iemenita que chega ao litoral italiano depois de ser resgatado e passa meses sem saber se voltará a encontrar a família, mantida em cativeiro na Líbia.
A esposa, Roro, participa do documentário com vídeos feitos pelo celular e relatos sobre a violência física, psicológica e sexual sofrida durante o sequestro, ao lado dos filhos. “Quero contar minha história e, se você puder me ajudar a conseguir justiça, também quero isso”, disse Plambech ao relatar o pedido de Roro.
A diretora e sua equipe fizeram várias expedições com grupos de resgate e enfrentaram tempo e ondas difíceis durante as filmagens. Para Plambech, os acontecimentos retratados no documentário ocorrem diariamente.
A produção também aborda a mudança observada por Plambech na opinião pública e na política europeia. Ela relacionou esse cenário à guinada à direita no mundo e disse que isso aumenta a importância do debate sobre migração.
O tema voltou ao centro das atenções após a entrada irregular de mais de 70 mil migrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, entre 30 e 31 de julho. A maioria retornou ao Marrocos em poucas horas, enquanto alguns milhares permaneceram no local, provocando manifestações.
Para alcançar espectadores resistentes a filmes sobre migração, Plambech apresenta “Rescue” como uma história de amor e de família: a busca de um pai pelos filhos e a disposição de uma mãe para fazer o necessário por eles.








