IRÃ — Comunidades iranianas ainda recebem água de qanats persas, um sistema subterrâneo que funciona sem bombas, energia elétrica ou combustível. A técnica, associada ao Irã há mais de 2.500 anos, utiliza a diferença de altitude para deslocar a água desde aquíferos até os pontos de consumo.
Os qanats começam com a escavação de um poço-mãe abaixo do nível freático da água subterrânea. A partir desse ponto, um túnel de inclinação suave desvia o líquido e o conduz por gravidade. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, os aquíferos ficam no alto dos vales, posição que permite que a água avance ao longo do percurso sem outra força motriz.
As fileiras de buracos observadas na superfície do deserto correspondem a poços verticais. Eles garantem a ventilação dos túneis e permitem o acesso de trabalhadores para manutenção, reparos e desobstruções. Como a estrutura principal fica abaixo do solo, esses poços funcionam como pontos regulares de contato entre o sistema subterrâneo e a superfície.
No fim do trajeto, a água pode ser armazenada em reservatórios e movimentar moinhos, que aproveitam o fluxo contínuo para produzir força mecânica. O mesmo sistema, portanto, atende ao abastecimento das comunidades e a outras necessidades relacionadas ao uso da água.
Túneis movidos pela gravidade também existem em outras regiões áridas. A diferença atribuída aos qanats persas está na tradição desenvolvida no contexto do Irã e do planalto iraniano, com métodos de construção e manutenção transmitidos ao longo das gerações. A UNESCO reconhece essa tradição como patrimônio, distinguindo-a de sistemas semelhantes encontrados em outras partes do mundo.
A permanência dos qanats está ligada à independência em relação à infraestrutura energética. Mesmo com a disponibilidade de tecnologias modernas de bombeamento, o sistema continua funcionando em comunidades iranianas porque conduz água sem eletricidade ou combustível. A durabilidade de muitas estruturas também contribui para sua continuidade, combinando uso atual e importância histórica e cultural.







