O desmatamento no Cerrado do Distrito Federal caiu de 638 hectares em 2023 para 31 hectares em 2024, redução de 95,1%. Em 2025, foram identificados 3 focos, e os dados oficiais confirmam que 100% das supressões registradas tinham autorização legal.
As informações constam do Relatório Anual do Desmatamento (RAD), da rede MapBiomas, e de dados oficiais citados pela Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF). Segundo a pasta, as autorizações estão ligadas a atividades rurais regulares e à expansão urbana licenciada.
Pressão sobre água e vegetação
Apesar da queda na supressão, o professor Reuber Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Rede Biota Cerrado, afirma que o bioma enfrenta aumento do desmatamento, mudanças climáticas e perda de água superficial.
O Distrito Federal está integralmente inserido no Cerrado, que ocupa mais de 200 milhões de hectares e corresponde, em média, a 22% do território brasileiro. O bioma é considerado o segundo maior da América do Sul e conhecido como berço das águas, por contribuir para a formação de nascentes, lagoas e rios que abastecem grandes bacias do país.
Brandão relata que o clima mais seco e quente já afetou nascentes no DF. Entre os exemplos está Olho D’água da Onça, localizado em uma área protegida na fazenda da UnB. Para o professor, o desaparecimento da água superficial pode indicar riscos para o abastecimento. “É um sinal de que pode haver crises importantes na oferta de água”, afirmou.
Fiscalização e recuperação
A Sema-DF informou que o Governo do Distrito Federal (GDF) coordena ações de monitoramento, recuperação ambiental e prevenção de queimadas. A Fiscalização Integrada, firmada em 2026, reúne a secretaria e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) no patrulhamento de Áreas de Proteção Ambiental (APAs), no combate à caça ilegal, ao tráfico de animais silvestres e à ocupação urbana irregular.
O Programa Recupera Cerrado direciona recursos e equipes para recompor a vegetação nativa em áreas consideradas prioritárias, especialmente onde há maior importância hídrica e déficit ambiental. Já o Programa de Monitoramento de Área Queimada (Promaq), executado pelo Instituto Brasília Ambiental, acompanha danos nos parques e nas unidades de conservação.
Durante a estação seca, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) atua na Operação Verde Vivo, voltada à eliminação de focos de calor. A secretaria também mantém projetos de conscientização e participação da sociedade civil.
Áreas protegidas e ocupação
Para Reuber Brandão, a presença de unidades de conservação ajuda a conter a perda de vegetação. O Parque Nacional tem mais de 45.000 hectares, enquanto a estação ecológica de águas emendadas possui mais de 10.000 hectares.
O professor aponta, porém, que a grilagem e a especulação sobre o uso do território pressionam áreas próximas às unidades de conservação. O isolamento de algumas áreas protegidas também dificulta a movimentação da fauna.
Brandão defende que o Cerrado seja reconhecido como a savana mais biodiversa do planeta e como um patrimônio coletivo. Na avaliação dele, a preservação da vegetação nativa está relacionada à qualidade de vida da população do Distrito Federal e à segurança hídrica do Brasil.








