O petróleo subiu mais de 4% nesta quinta-feira (24), após discursos de Estados Unidos e Irã na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ampliarem a percepção de que um acordo de paz está distante. As negociações estão estagnadas há mais de dois meses.
Por volta das 12h47, no horário de Brasília, o barril Brent avançava 4,61%, a US$ 107,94. O contrato de novembro havia alcançado US$ 108,59 há oito dias. O WTI, referência nos Estados Unidos, era negociado a US$ 96,39, com alta de 4,63%.
A escalada mantém no radar a possibilidade de bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra. O conflito também alcançou outras frentes com a entrada dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, e da Arábia Saudita neste mês.
Donald Trump ameaçou aniquilar o Irã em seu discurso na segunda-feira (22). No dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear, acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo e apresentou fotografias de crianças iranianas mortas na guerra. A delegação norte-americana deixou a plenária durante a fala.
“Para os investidores, a percepção era de que os dois lados ainda estavam muito distantes”, afirmou Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank. Para ele, o mercado passou a esperar um período prolongado de preços mais altos do petróleo.
Nesta quinta-feira (24), Yahya Rahim Safav, conselheiro próximo ao líder supremo Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã poderá estender o conflito até o Oceano Índico se os Estados Unidos voltarem a atacar o país. A declaração foi divulgada em vídeo pela agência Fars.
Os houthis controlam a costa do Iêmen no Mar Vermelho e, com isso, o estreito de Bab el-Mandeb, ligação entre a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez. O Irã apoia militarmente o grupo, mas nega envolvimento na nova frente de combate.
Teerã estabeleceu sete condições para um acordo de paz com os norte-americanos, incluindo a suspensão das sanções econômicas e a liberação de ativos congelados no exterior.







