O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país está disposto a retomar o diálogo, a diplomacia e as negociações, desde que não sejam conduzidas sob ameaça ou linguagem de força. A declaração foi feita na Assembleia Geral da ONU, após Donald Trump dizer, na véspera, que poderia aniquilar a República Islâmica.
Durante o discurso, a delegação dos Estados Unidos deixou a sala. Pezeshkian acusou os governos norte-americano e israelense de ataques ilegais contra civis e infraestruturas iranianas. Segundo ele, a capacidade militar buscada pelo Irã tem finalidade de autodefesa, sem intenção de atacar outros Estados.
O presidente iraniano abriu a intervenção com imagens de crianças mortas no ataque de mísseis contra a escola Shajarat al-Tayyiba, em Minab, no primeiro dia da guerra. O episódio provocou 156 mortos. Ele também exibiu uma fotografia do aiatolá Ali Khamenei, morto na mesma primeira onda de ataques, e mencionou um ataque dos Estados Unidos contra um pavilhão desportivo naquele dia.
Pezeshkian rejeitou a acusação de que o Irã seja responsável pelo terrorismo e questionou a legitimidade de países que, segundo ele, cometem atos terroristas e crimes para se apresentarem como defensores da paz e da estabilidade.
Programa nuclear e estreito de Ormuz
O presidente iraniano disse que o conhecimento nuclear não pode ser monopólio de alguns países e classificou o impasse sobre o programa nuclear como uma questão sem solução militar. Ao se dirigir a Israel, afirmou: “A bomba atómica está em Israel, mas os inspetores estão no Irão”. Também declarou que o Irã não permitirá que seu direito de navegação, inclusive em suas próprias águas, seja retirado.
Pezeshkian encerrou a fala com uma mensagem a Trump: “Sim, atingiram-nos, mas não nos ajoelhámos”. Ele ainda afirmou que o Irã não atacou populações civis, declaração contrariada por mortes documentadas de marinheiros e civis em ataques iranianos na região desde o início da guerra.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, criticou o discurso e questionou a autoridade do Irã para falar sobre direitos humanos e o sistema internacional. Após a intervenção, Trump afirmou que uma reunião entre enviados norte-americanos e representantes iranianos havia sido muito boa, embora a delegação do Irã não estivesse no mais alto nível.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, disse que não houve nada de novo na troca de mensagens. Rubio classificou o contato como continuação de conversas anteriores e afirmou que não se tratava de um avanço decisivo.







