Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Funeral de Ratko Mladić ocorrerá em Belgrado sem honras militares

Ex-comandante sérvio-bósnio, condenado por genocídio, será enterrado sob pressão europeia contra sua glorificação na Sérvia.

Funeral de Ratko Mladić ocorrerá em Belgrado sem honras militares

Ratko Mladić será enterrado em Belgrado sem honras de Estado ou militares, sem a presença de autoridades em exercício e sem cerimônia militar. O funeral está previsto para segunda-feira, no cemitério de Košutnjak, e pode reunir dezenas de milhares de admiradores, segundo estimativas da polícia sérvia e da agência de segurança do Estado.

O caixão será exposto pela manhã em uma igreja próxima ao cemitério. Não haverá salvas de artilharia, e o ex-comandante do Exército sérvio da Bósnia não será sepultado na Alameda dos Grandes nem na Alameda dos Cidadãos Ilustres. A família informou que Mladić ficará ao lado da filha, que morreu por suicídio na década de 1990.

Mladić morreu na semana passada enquanto cumpria prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Seus restos mortais foram levados de Haia para a Sérvia na quinta-feira, em um avião do governo, e transferidos para um hospital militar de Belgrado para autópsia.

Homenagem e pressão europeia

No sábado, a Casa do Exército da Sérvia sediou uma cerimônia em homenagem a Mladić, organizada por uma associação de generais reformados. As autoridades sérvias afirmaram que o evento não foi promovido pelo Estado. Antes disso, o ministro da Justiça, Nenad Vujić, havia anunciado que o país concederia ao ex-comandante todas as honras militares e de Estado.

A decisão de realizar o funeral sem honras ocorre em meio a críticas da União Europeia. A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, cancelou uma visita à Sérvia e afirmou que a glorificação em torno da morte de Mladić é incompatível com os valores ligados ao caminho de adesão ao bloco, que tem 27 membros.

O comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Michael O’Flaherty, pediu que as autoridades sérvias e a entidade sérvia da Bósnia combatam a glorificação de criminosos de guerra condenados. O mecanismo internacional que sucedeu o tribunal de Haia também condenou ações que glorifiquem pessoas condenadas por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

O presidente sérvio, Aleksandar Vučić, não participará do funeral. Ele afirmou que estará ocupado, na segunda-feira e durante todo o dia de terça-feira, com uma visita oficial do presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, agendada há quatro meses. Vučić disse ainda que as autoridades usarão os recursos disponíveis para garantir a segurança durante a cerimônia.

Condenação por crimes na Bósnia

Mladić foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia por organizar a execução de mais de 8 000 homens e rapazes bosníacos em Srebrenica, em julho de 1995. O massacre foi considerado o pior em solo europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Ele também foi responsabilizado por crimes cometidos durante o cerco de Sarajevo. Suas tropas bombardearam e realizaram disparos de franco-atiradores contra a população da capital bósnia por quase quatro anos, após o início da guerra, no começo de 1992.

A guerra deixou mais de 100 000 mortos e mais de 2 milhões de deslocados ou refugiados no estrangeiro. O conflito terminou no final de 1995, com um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos.

A controvérsia alcançou o futebol. A UEFA multou o Estrela Vermelha de Belgrado em 90 000 euros por cânticos em homenagem a Mladić e outras infrações, incluindo comportamento racista ou discriminatório. O FK Borac Banjaluka recebeu multa de 39 500 euros por cânticos favoráveis ao ex-comandante e outras condutas de torcedores.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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