Os Estados Unidos investigam um ataque aéreo ocorrido na terça-feira em Kuhestak, no sul do Irã, que, segundo autoridades iranianas, atingiu uma casa onde era realizada uma cerimônia de casamento. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que Washington ainda não tem informações conclusivas sobre o episódio e declarou que os Estados Unidos “nunca atacam civis”.
Vance disse que está cético em relação às versões divulgadas pelos meios de comunicação estatais iranianos, mas afirmou que o governo conduz uma investigação aprofundada. O líder da Guarda Revolucionária do Irã, Ahmad Vahidi, afirmou que o país vingará a morte de duas mulheres e duas crianças no ataque. O episódio também deixou pelo menos 68 feridos.
“Queremos saber o que aconteceu e, se cometemos erros”, disse Vance, acrescentando que o Exército norte-americano procura aprender com eventuais falhas. O vice-presidente afirmou que a apuração é necessária porque os Estados Unidos não dispõem de elementos definitivos sobre o que ocorreu.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classificou o ataque como crime de guerra e o comparou a episódios anteriores em Minab e Lamerd. Na cidade de Minab, morreram 168 estudantes e professores. Em Lamerd, outro ataque deixou 21 mortos. Os dois locais ficam no sul do país, e o governo iraniano relacionou os episódios a ações atribuídas a norte-americanos e israelenses.
Conflito e estreito de Ormuz
A guerra entre Irã e Estados Unidos se intensificou nos últimos dias, após seis meses de conflito. De acordo com Teerã, ataques norte-americanos contra cinco províncias iranianas causaram cerca de 20 mortos.
Na Casa Branca, Vance também afirmou que o tráfego de petróleo e gás pelo estreito de Ormuz estava quase nos níveis anteriores ao início do conflito. Washington e Teerã reivindicam o controle da passagem.
Em 17 de junho, os dois países haviam firmado um memorando de entendimento com previsão de cessar-fogo imediato, reabertura do estreito à navegação comercial e suspensão do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. O acordo colapsou, e os bloqueios foram retomados sem a continuidade das negociações para um acordo de paz definitivo. O prazo previsto no memorando era de dois meses.
Desde domingo, os Estados Unidos realizaram novas ondas de ataques aéreos contra o Irã. O país respondeu com drones e mísseis contra nações vizinhas do Golfo. Na semana passada, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que as sanções contra indivíduos e entidades ligados a Teerã buscam pressionar o governo iraniano a negociar, e não derrubar o regime.







