SÃO PAULO — O governo dos Estados Unidos não planeja, neste momento, lançar ataques militares diretos contra os houthis, embora forneça à Arábia Saudita apoio de inteligência e assistência para identificar alvos. Dois funcionários do governo americano afirmaram que essa avaliação pode mudar caso aumente a ameaça às rotas de navegação no mar Vermelho.
O presidente Donald Trump disse neste sábado (12) que os houthis, grupo rebelde do Iêmen aliado ao Irã, sinalizaram ao governo americano que não querem um confronto com Washington. “Os houthis nos ligaram e não querem lutar conosco”, afirmou Trump a jornalistas em Dublin, na Irlanda. Ele também declarou: “Eles não querem que nós os ataquemos”.
A posição americana ocorre após os houthis assumirem o controle de toda a costa do Iêmen no mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb, um dia antes. O grupo também entrou em cidades e ilhas da região, segundo relatos de rivais.
Trump afirmou que a maioria das embarcações continua atravessando a área. Os houthis disseram na sexta que a navegação seria segura pelo estreito, com exceção dos navios da Arábia Saudita. O presidente americano não detalhou qual seria o país com o qual o grupo está insatisfeito.
Pressão sobre as rotas de petróleo
O presidente americano disse que o regime iraniano provavelmente esteve por trás do ataque ao oleoduto que liga campos de petróleo saudita, no leste da península Arábica, ao porto de Yanbu, no mar Vermelho. Ninguém havia reivindicado a autoria dos ataques. O Ministério da Energia informou que fechou a estrutura por precaução.
A rota é a principal alternativa para o transporte do petróleo saudita enquanto o estreito de Hormuz permanece bloqueado pelo Irã. A Arábia Saudita é a maior exportadora mundial de petróleo bruto, e a segurança da navegação no mar Vermelho é considerada imprescindível para o país.
Trump disse ter conversado com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, a quem chamou de amigo, e afirmou que tudo sairia bem. Salman teria ligado duas vezes para pedir ataques americanos contra os houthis, mas Washington rejeitou a ideia.
Como parte do apoio à Arábia Saudita, o comandante do Comando Central americano, almirante Brad Cooper, viajou ao país na quinta-feira (10) para reuniões. Paralelamente, forças governamentais do Iêmen, apoiadas pelos sauditas, disseram ter atacado combatentes houthis em Mocha, ao norte do estreito.
Trump está em uma viagem de 48 horas à Irlanda, onde participará de um torneio de golfe em Doonbeg. Em Dublin, reuniu-se com a presidente irlandesa Catherine Connolly. Protestos contra a guerra e contra Trump estavam previstos na capital e em Doonbeg.








