Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira novas restrições contra Cuba, com medidas que dificultam operações financeiras ligadas à ilha e atingem também empresas do setor privado. As regras foram divulgadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), ligado ao Departamento do Tesouro americano.
A normativa proíbe transações financeiras indiretas com entidades cubanas sancionadas, principalmente as associadas ao aparato de segurança e ao Gaesa, conglomerado econômico do Exército cubano. Também foi retirada a autorização para operações conhecidas como “U-Turn”. Desde 2024, esse mecanismo permitia que bancos americanos processassem pagamentos em dólares relacionados a Cuba quando a origem e o destino estivessem fora dos Estados Unidos e não houvesse cidadãos americanos envolvidos.
Outra mudança elimina a permissão para que bancos americanos abrissem e mantivessem contas exclusivamente em nome de cubanos que atuassem como empreendedores autônomos no setor privado.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou no X que as medidas procuram “obstruir o processo de transformações econômicas em curso”. Ele relacionou as restrições às reformas pró-mercado aprovadas pelo governo em junho para enfrentar a crise econômica e disse que as sanções atingem os setores público e privado.
Oniel Díaz, proprietário de uma consultoria voltada a empreendedores privados na ilha, declarou no Facebook que as decisões de Washington criam obstáculos adicionais ao setor ao limitar as opções de conexão bancária com os Estados Unidos. Ele também teme que bancos de outros países endureçam seus procedimentos, dificultando pagamentos de compras internacionais, incluindo alimentos e combustíveis.
A adoção das medidas ocorre enquanto aumentam as importações privadas cubanas procedentes dos Estados Unidos. Dados do Censo americano mostram que Cuba importou US$ 149 milhões em mercadorias em julho, o maior valor mensal desde 1992.
As regras ainda restringem categorias de viagens autorizadas durante o governo de Barack Obama (2009-2017). Viagens para intercâmbio cultural, conferências e reuniões de negócios passarão a exigir autorização.
Desde o retorno de Donald Trump ao poder, a relação entre os dois países voltou a se deteriorar. O presidente americano classifica Cuba, localizada a 150 km da Flórida, como uma “ameaça extraordinária” à segurança dos Estados Unidos. Washington também mantém, desde janeiro, um embargo petroleiro de fato e defende uma mudança de regime em Havana.








