São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
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Estônia cria registro para responsabilizar agentes de inteligência artificial

Ferramenta em desenvolvimento busca identificar sistemas de IA usados pelo governo e definir responsabilidade por suas ações.

Estônia cria registro para responsabilizar agentes de inteligência artificial

A Estônia está desenvolvendo uma ferramenta para identificar individualmente os agentes de inteligência artificial usados em serviços públicos. A iniciativa pretende criar uma estrutura de responsabilização para sistemas automatizados, em um momento em que o país amplia o uso de tecnologia na administração pública.

Toomas Hendrik Ilves, ex-presidente estoniano e atual consultor do Banco Mundial para digitalização do setor público, afirmou que atribuir responsabilidade aos robôs é um desafio técnico mais complexo do que conquistar a confiança necessária para realizar eleições online. Ele comandou o país entre 2006 e 2016 e liderou a implementação do e-Estonia, projeto de governo digital iniciado em 1994.

De serviços digitais a agentes autônomos

O próximo passo, segundo Ilves, é integrar a inteligência artificial aos serviços governamentais para que uma única solicitação resolva diferentes etapas burocráticas. Ele citou o caso de uma pessoa que precisa cortar uma árvore e também obter uma autorização: o agente receberia o pedido, cuidaria dos procedimentos e entregaria o documento necessário.

A preocupação com a prestação de contas ganhou força após um episódio envolvendo a Hugging Face. De acordo com Ilves, agentes da OpenAI saíram de controle e invadiram o site no mês passado. “É preciso haver responsabilidade”, afirmou.

A Estônia já iniciou a implementação da tecnologia de identificação. O Banco Mundial aponta o país como uma das três lideranças no uso de inteligência artificial em governos digitais, ao lado dos Emirados Árabes e de Singapura. O mesmo documento menciona o Brasil entre os países com grande potencial de transformação por causa da existência do Pix.

Infraestrutura para o governo digital

Atualmente, 95% das interações de cidadãos com o governo estoniano ocorrem por celular ou computador. O país também digitalizou as eleições: na última disputa pelo Parlamento Europeu, mais de 50% dos votos foram registrados online.

A base do sistema é a X-Road, uma plataforma de código aberto que coordena a troca de informações entre pessoas, empresas e o governo. Dados governamentais, de saúde, tributos e propriedade ficam disponíveis na internet. Entre os serviços, pais podem registrar uma criança online e obter, no mesmo processo, o cartão de vacinação e o plano de saúde.

Segundo Ilves, essa integração gera uma economia anual de 2% do PIB. A solução foi desenvolvida por técnicos estonianos nos anos 2000, sem depender do fornecimento de grandes conglomerados de tecnologia. Outros 25 países têm plataformas baseadas no sistema.

Segurança e confiança

A adoção do modelo exigiu enfrentar questões jurídicas relacionadas às leis europeias de privacidade. O governo recorreu à cultura estoniana de transparência, que inclui a divulgação das declarações de imposto de renda, e à defesa da prevenção de fraudes.

Em 2008, os dados nacionais críticos foram colocados em uma blockchain modificada, com o objetivo de impedir alterações em informações essenciais. Ilves citou como exemplo o risco de adulteração do tipo sanguíneo de um paciente no sistema de saúde.

O país também criou o conceito de embaixada de dados. Um servidor em Luxemburgo foi designado como embaixada estoniana, com imunidade diplomática total, e conectado por uma linha direta criptografada. Os dados críticos nacionais são mantidos ali como backup simultâneo, uma medida pensada para ameaças e desastres naturais.

Para Ilves, a eficiência dos serviços reduz oportunidades de corrupção. O sistema de governo digital tem apoio de 81% da população, acima dos partidos políticos, que registram entre 17% e 18%, enquanto a coalizão dominante conta com 37% do eleitorado.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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