Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Empresário iraniano é condenado a mais de 12 anos por apoiar protestos

Sadegh Saeedinia teve os bens confiscados e foi proibido de trabalhar no setor de restaurantes após a libertação.

Empresário iraniano é condenado a mais de 12 anos por apoiar protestos

Sadegh Saeedinia, gerente da cadeia de cafés Saeedinia, foi condenado a mais de 12 anos de prisão no Irã por apoiar os protestos de janeiro. A sentença também determinou o confisco de todos os seus bens e estabeleceu que ele não poderá trabalhar no setor de restaurantes durante dois anos após ser libertado.

As acusações incluem atividades mediáticas e propaganda contra a segurança nacional, propaganda contra o sistema e ações operacionais em nome de grupos hostis. O caso está relacionado a publicações no Instagram sobre os protestos, ao apoio a apelos por greve, ao fechamento de cafés e lojas do grupo e ao incentivo para que funcionários participassem das manifestações.

O poder judiciário iraniano descreveu Saeedinia como instigador dos protestos em Qom e o associou à destruição de propriedades públicas e privadas. Não foram apresentadas provas independentes de uma ligação direta entre as atividades atribuídas a ele e danos materiais.

Ações contra a família

Saeedinia é filho de Mohammad Saeedinia, fundador do grupo alimentar que leva o nome da família. Antes da condenação do filho, Mohammad já havia sido alvo de uma ação judicial, depois que cafés e restaurantes do grupo foram fechados e algumas filiais, seladas.

A Agência de Notícias Fars afirmou que o valor dos bens do empresário era aproximadamente equivalente aos prejuízos financeiros causados a Teerã durante os protestos. Em uma carta posterior, Mohammad classificou os fechamentos como “um erro”, pediu desculpas ao público e declarou obediência ao aiatolá. Usuários de redes sociais disseram que o documento havia sido escrito sob coação.

O confisco de bens é usado no Irã como instrumento de pressão política desde 1979, quando o aiatolá Ruhollah Khomeini determinou a apreensão dos bens da família Pahlavi e de autoridades do antigo regime. Com o passar das décadas, a prática foi ampliada para empresários, opositores políticos, artistas, ativistas e minorias religiosas.

O artigo 49.º da Constituição criou um mecanismo judicial para apreender bens considerados ilícitos. Parte dos ativos confiscados foi transferida para organismos sob a autoridade do aiatolá, entre eles a Sede para a Execução da Ordem do Imã Khomeini, conhecida como Setad.

Apreensões após os protestos

Desde os protestos de janeiro, as apreensões se intensificaram. Em abril, o procurador de Teerã informou que haviam sido emitidas ordens para identificar e apreender bens, além de congelar contas bancárias de mais de 100 figuras proeminentes que viviam no exterior e eram descritas como apoiadoras do inimigo.

As autoridades também ordenaram o congelamento das contas de 63 gestores e funcionários da Iran International e de 25 gestores e funcionários da Manoto TV, em Londres. Ali Sharifi Zarchi, ex-professor da Universidade Sharif que havia declarado “Khamenei não é o meu líder” após os protestos, estava entre os alvos.

Relatos posteriores mencionaram apreensões de bens pertencentes a mais de 400 figuras da mídia e da cultura no exterior. Também foram abertos processos ou feitas ameaças de apreensão contra os ex-jogadores Ali Karimi, Sardar Azmoun, Voria Ghafouri e Ali Daei, além do árbitro Alireza Faghani.

Divergência sobre o número de mortos

Os protestos começaram após o colapso do rial iraniano e se espalharam por mais de 180 cidades. As autoridades afirmaram que mais de 3.100 pessoas morreram na repressão, enquanto o relator especial da ONU para o Irã estimou ao menos 5.000 mortos.

A Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos declarou ter verificado 6.854 mortes. Outros grupos de direitos humanos e fontes internas estimaram que o número poderia chegar a 32.000. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que quase 65.000 manifestantes haviam sido mortos, sem comprovação por organizações independentes de monitoramento.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou a repressão e classificou o tratamento dado pelas autoridades iranianas aos dissidentes como uma privação brutal de direitos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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