O trimestre entre junho e agosto de 2026 foi o mais quente já registrado, informaram cientistas da agência Copernicus em alerta publicado na quarta-feira (10). No mesmo período, a superfície do oceano completou 100 dias com temperaturas recordes.
O Greenpeace Brasil afirma que o El Niño em curso agrava o cenário ao acrescentar calor a um oceano já superaquecido. De acordo com a organização, a água mais quente evapora com maior velocidade e transfere calor continuamente para a atmosfera. A combinação pode alterar correntes marinhas e favorecer eventos climáticos extremos globais nos próximos meses, inclusive no Brasil.
A porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil, Bruna Canal, disse que o aquecimento permanente modifica o funcionamento do oceano, reduz a oferta de oxigênio e nutrientes e prejudica os ecossistemas aquáticos. Ela também associou o fenômeno à perda de biodiversidade, à insegurança alimentar e ao aumento da vulnerabilidade de pessoas expostas a desastres climáticos.
O Greenpeace relacionou o alerta a uma advertência do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgada uma semana antes, sobre a ultrapassagem temporária da temperatura média global de 1.5 C. Para Canal, a proximidade entre os acontecimentos não é coincidência.
A organização defende que os governos priorizem uma ação conjunta para abandonar os combustíveis fósseis, promover uma transição energética rápida, equitativa e financiada nos países do Sul Global e interromper a destruição das florestas até 2030. A meta citada é que o mundo retorne o mais rapidamente possível à marca de 1,5°C.
A especialista em Política Climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo, afirmou que a resposta deve incluir o fim da expansão de novos poços e planos rigorosos para eliminar o desmatamento e os combustíveis fósseis, com financiamento para países em desenvolvimento. As medidas, segundo ela, também devem orientar as discussões internacionais rumo à COP31.








