Agosto igualou julho de 2023 como o mês mais quente já registrado, com temperatura média global de 16,96°C, segundo o serviço Copernicus, da União Europeia. O período foi marcado por ondas de calor, incêndios florestais, inundações e outros eventos extremos em diferentes continentes.
O mês também registrou, pela primeira vez desde novembro do ano passado, um aquecimento global acima do limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris. A marca chegou a 1,65°C. O Copernicus relaciona o aquecimento sobretudo à queima de petróleo, carvão e gás natural.
A Organização das Nações Unidas reconhece a possibilidade de um overshoot, termo usado para descrever uma trajetória temporária de aquecimento acima do patamar acordado em 2015. Mantido o ritmo atual de emissões, a temperatura média do planeta poderá chegar ao fim deste século 2,8°C acima do período pré-industrial, entre 1850-1900.
A média de aquecimento de 1,5°C, considerada pelos cientistas um nível seguro para 2100, deverá ser ultrapassada antes do fim desta década. Para reduzir as temperaturas, os países precisarão alcançar emissões líquidas negativas de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa.
Calor também nos oceanos
A temperatura média mensal da superfície dos oceanos atingiu 21,07°C em agosto, igualando o recorde de março de 2024. O período também registrou a maior temperatura diária, de 21,11°C, em 22 de agosto.
O verão no hemisfério norte foi o mais quente já observado na Europa, na França, na Espanha, na Itália, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Na Espanha, foram 61 dias de onda de calor, ante 41 em 2022. A temperatura média chegou a 24,5°C, 2,4°C acima do período de referência de 1991-2020 e a maior desde 1961. Na Itália, a média alcançou 24,3°C, recorde em 75 anos.
Para Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, os dados mostram que as mudanças climáticas provocam eventos extremos na atmosfera e nos oceanos. O aquecimento do Pacífico tropical, associado ao El Niño, deve se intensificar nos próximos meses, segundo a Organização Meteorológica Mundial.
O trimestre de junho a agosto também empatou com o mesmo período de dois anos antes como o mais quente já registrado. O ano completo de 2024 teve o maior aquecimento da história.








