GRANADA — Uma base de dados global de acesso aberto foi apresentada para reunir informações sobre as espécies de aves extintas pela ação humana e permitir estimar a dimensão da biodiversidade perdida. A Avotrex foi lançada durante o 27.º Congresso Espanhol de Ornitologia - 8.º Congresso Ibérico, que reúne em Granada mais de 400 investigadores de Portugal e Espanha.
O projeto envolve instituições científicas de diferentes países, entre elas o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO), da Universidade do Porto. A ferramenta reúne características morfológicas e ecológicas de todas as aves extintas desde o Pleistoceno Superior, compreendido aproximadamente entre 126.000 e 11.500 mil anos.
A apresentação foi feita pelo investigador Ferrán Sayol Altarriba, da Universidade de Vic - Universidade Central da Catalunha, durante uma intervenção sobre a extinção das aves e seus efeitos na perda de diversidade funcional e evolutiva. Sayol Altarriba é um dos autores de um artigo sobre o projeto, publicado em outubro de 2024 na revista científica Global Ecology and Biogeography. O estudo teve a participação de outros 20 investigadores, incluindo Filipa Coutinho Soares, do CIBIO-InBIO.
Limitações dos registros
Segundo Sayol Altarriba, estatísticas oficiais como a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) não são suficientes para determinar quantas aves desapareceram em razão da atividade humana. A extinção começou antes dos primeiros registros escritos, e muitas espécies são conhecidas apenas por restos fósseis e subfósseis.
A Avotrex combina informações da literatura científica com resultados obtidos em coleções de história natural. A proposta é reconstruir as comunidades de aves anteriores ao impacto humano e calcular a diversidade que foi perdida.
Os resultados disponíveis indicam que as extinções não ocorreram de maneira aleatória. Elas se concentraram em ilhas e afetaram espécies com características únicas, como as aves não voadoras. As espécies introduzidas, por sua vez, não compensaram a diversidade perdida e contribuíram para a homogeneização funcional das comunidades insulares.
Também participam do projeto a Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores. O congresso termina no domingo e é organizado pela BirdLife de Espanha e pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves - BirdLife em Portugal, com colaboração da Faculdade de Ciências da Universidade de Granada.








