São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Acordo de paz colombiano chega a dez anos com implementação incompleta

Desmobilização das Farc reduziu o conflito, mas grupos armados, massacres e deslocamentos cresceram desde 2016.

Acordo de paz colombiano chega a dez anos com implementação incompleta

BUENOS AIRES, ARGENTINA — O acordo de paz entre o Estado colombiano e as Farc completa dez anos sob uma combinação de avanços na reintegração de ex-combatentes e expansão da violência. Assinado inicialmente em 26 de setembro de 2016, o pacto encerrou uma guerra de 52 anos, mas sua implementação permanece incompleta e enfrenta resistência política.

O documento foi firmado pelo então presidente Juan Manuel Santos e por Rodrigo Londoño, líder das Farc, em Cartagena. A versão atualmente em vigor foi assinada em novembro de 2016, no Teatro Colón, em Bogotá, depois que o texto original foi rejeitado em plebiscito por 50,2% dos votos, contra 49,8% favoráveis — diferença de 54 mil votos.

A desmobilização é o principal resultado do acordo. Mais de 13 mil pessoas deixaram as armas, e cerca de 85% delas seguem em processos de reincorporação à vida civil. O conflito entre o Estado e a guerrilha marxista também rendeu a Santos o Nobel da Paz de 2016.

Violência e implementação

A expansão de organizações armadas, porém, alterou o balanço do pacto. Dados da Força Pública da Colômbia indicam que o número de combatentes nas principais estruturas armadas passou de 6.519, distribuídos em três organizações em 2017, para 24.610, em quatro grupos, em 2025.

Os deslocamentos forçados também aumentaram. A Unidade para as Vítimas registrou mais de 290 mil pessoas nessa situação no ano passado, quase o dobro do número de 2016. No mesmo intervalo, as mortes em massacres passaram de 137 para 256, segundo o Indepaz.

O instituto Kroc, da Universidade Notre Dame, calculou que 36% das 578 cláusulas do acordo haviam sido completamente implementadas em 2025. Outros 8% ainda não tinham sido iniciados. O prazo para executar as medidas termina em 2031, quinze anos após a assinatura. Em maio, o instituto afirmou que a janela para cumprir as promessas estava se fechando, enquanto vítimas continuavam à espera de resultados concretos.

Entre os avanços apontados por Paola Molano Ayala, mestre em direito internacional pela Universidade de Nova York, estão os Programas de Desenvolvimento com Enfoque Territorial. Entre 2018 e 2024, a iniciativa reduziu, em média, mais de 15 pontos percentuais o índice de pobreza multidimensional nos 170 municípios mais afetados pelo conflito, conforme a Agência de Renovação do Território.

A proteção dos ex-guerrilheiros é considerada um dos principais pontos pendentes. O relatório mais recente da Missão de Verificação das Nações Unidas na Colômbia, divulgado em julho, registra que 493 ex-combatentes foram mortos desde a assinatura do acordo.

Disputa política

A rejeição do plebiscito marcou o início de uma oposição que continuou nos governos seguintes. Para Andrei Gómez Suárez, especialista em resolução de conflitos armados, a consulta foi um erro de Santos porque subestimou a complexidade da decisão e deixou a implementação sem legitimidade suficiente.

Iván Duque, eleito em 2018, defendeu mudanças no acordo durante a campanha, embora tenha afirmado que não pretendia destruí-lo. Em 2022, Gustavo Petro tornou-se o primeiro presidente de esquerda da Colômbia e declarou apoio ao pacto. Seu governo, no entanto, concentrou esforços na política de “paz total” e não avançou de forma satisfatória nos compromissos do texto de 2016.

Suárez afirma que a negociação com grupos armados remanescentes transmitiu a percepção de que a paz dependia da vontade de cada presidente. Para os grupos envolvidos nas tratativas, essa falta de continuidade gerou dúvidas sobre quem manteria as promessas após o fim do governo Petro.

O presidente Abelardo de la Espriella pretende destinar 12,94 trilhões de pesos colombianos, equivalentes a R$ 20,5 bilhões, para a implementação do acordo no orçamento do ano que vem. O valor é 37% inferior aos 20,56 trilhões de pesos, ou R$ 32,5 bilhões, previstos para 2026.

Apesar das dificuldades, Suárez avalia que o processo não pode ser classificado como fracasso. Metade dos processos de paz fracassa cinco anos após a assinatura, segundo o pesquisador. No caso colombiano, dez anos depois, ele afirma que ainda não é possível dizer que a paz com as Farc fracassou ou chegou ao fim.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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