SÃO PAULO — O ambiente internacional de maior disposição ao risco ajudou a reverter a pressão sobre os ativos brasileiros após o anúncio de aumento do Bolsa Família. O Ibovespa subiu 0,24%, aos 185 992,03 pontos, enquanto os juros futuros recuaram em todos os vencimentos acompanhados pelo mercado.
O dólar oscilou entre R$ 5,1258 e R$ 5,1768 ao longo desta quinta-feira, 17. A moeda americana fechou em queda de 0,23%, a R$ 5,1393, abaixo de R$ 5,15. Na semana, ainda acumula alta de 0,27%.
O reajuste de 15% foi anunciado pouco depois das 10h30. O benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691 e terá impacto estimado pelo Ministério da Fazenda de R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028. Para 2026, a previsão é de R$ 5,8 bilhões.
Pressão inicial perde força
A notícia provocou piora generalizada nos ativos domésticos no início do pregão, mas a queda do petróleo e dos retornos dos Treasuries contribuiu para a recuperação durante a tarde. O Brent para novembro recuou 0,95%, a US$ 104,82, embora acumule alta de quase 14% no mês e de mais de 70% no ano.
O operador sênior Fernando César, da AGK, afirmou que investidores desmontaram posições defensivas adotadas antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. “Investidores estão desmontando certas operações defensivas feitas antes das decisões de juros aqui e nos Estados Unidos, porque veio tudo dentro do esperado”, disse.
O Federal Reserve elevou a taxa básica americana em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 13,75% ao ano, e deixou aberta a possibilidade de novos cortes.
Bolsa e juros
A Vale subiu mais de 2%, enquanto a Petrobras terminou perto da estabilidade. O giro do Ibovespa foi de R$ 18 bilhões. O índice acumula queda de 0,65% na semana, alta de 4,83% no mês e avanço de 15,4% no ano.
Nos contratos de Depósito Interfinanceiro, a taxa para janeiro de 2027 caiu de 13,588% para 13,555%. O vencimento de janeiro de 2029 recuou de 13,903% para 13,82%, e o de janeiro de 2031 passou de 14,116% para 14,04%.
O Tesouro Nacional ofertou 15 milhões de Letras do Tesouro Nacional e 9 milhões de Notas do Tesouro Nacional — Série F. Após a pressão inicial, as taxas futuras acompanharam a melhora externa e perderam os prêmios acumulados no começo do pregão.
Para analistas, o reajuste não altera de forma expressiva as expectativas sobre a disputa presidencial. Fabrizio Velloni destacou a acomodação do dólar no exterior, enquanto Andres Abadia avaliou que a recuperação dos ativos domésticos refletiu a percepção de ausência de mudança fiscal relevante no curto prazo. “Eu teria cautela em ver a medida como um divisor de águas”, afirmou Abadia.








