SÃO PAULO — A Receita Federal e os Ministérios Públicos Federal e do Mato Grosso do Sul desarticularam um esquema de importação clandestina de perfumes árabes trazidos do Paraguai e distribuídos no Brasil. A organização revendia os produtos pela internet, com divulgação feita também por influenciadores.
A Operação Perfume de Mulher cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens dos investigados e pediu a prisão da coordenadora do grupo.
As apurações tratam de suspeitas de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais. O grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões e usado criptoativos para pagar fornecedores estrangeiros.
Rota e distribuição
Segundo as investigações, a entrada das mercadorias ocorria por Ponta Porã, município na fronteira com o Paraguai e situado a 326 km de Campo Grande. Os suspeitos transportavam as cargas em veículos e, depois, levavam os perfumes a depósitos em Campo Grande.
A partir desses locais, os produtos eram encaminhados para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco antes de chegar a diferentes estados. As vendas eram feitas em redes sociais, lojas, e-commerces e marketplaces. O Ministério Público Federal afirma que influenciadores ajudavam a ampliar a divulgação.
Para aparentar regularidade, os investigados usavam notas fiscais fraudadas, com dados falsos sobre o conteúdo das cargas, e recorriam a diversas empresas para simular operações comerciais. As investigações também identificaram indícios de empresas de fachada, uso de laranjas, ocultação de patrimônio e movimentações incompatíveis com a renda declarada.
As apurações começaram após apreensões realizadas entre 2024 e 2026. Nesse período, os órgãos de fiscalização registraram mais de 20 ações relacionadas à organização criminosa. Em outubro de 2025, uma dessas operações reteve cerca de R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.







